Filha de vítima questiona tratamento de femincida: 'piada de mau gosto'

Filha de vítima questiona tratamento de femincida: 'piada de mau gosto'
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Category: Politics
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A biomedica Caroline Fernandes, filha da empresária e terapeuta capilar Gleici Keli Geraldo, criticou o uso de recursos públicos para custear o tratamento psiquiátrico do engenheiro Daniel Bennemann Frasson, acusado de matar a esposa a facadas e ferir a própria filha de 7 anos em Lucas do Rio Verde (330 km de Cuiabá), em junho de 2025 . Em uma publicação nas redes sociais, feita neste domingo (6), Caroline classificou como uma 'piada de mau gosto' o investimento do Estado no tratamento do feminicida, que atualmente está internado em uma unidade de saúde em Cuiabá. A biomédica também questionou a condição psiquiátrica atribuída ao padrasto e afirmou que determinados comportamentos registrados antes do crime, segundo ela, seriam incompatíveis com a hipótese de que Daniel não tinha consciência dos próprios atos. Caroline citou situações que teriam ocorrido aproximadamente 40 minutos antes do assassinato. Entre elas, estariam a verificação do corredor para saber se as vítimas continuavam dormindo, a escolha da arma utilizada no crime e uma suposta tentativa de desligar uma câmera de segurança. Segundo a filha de Gleici, depois de atacar a esposa, Daniel teria retornado ao quarto onde estava a filha do casal. A menina, que tinha 7 anos na época, também foi atingida por golpes de faca, mas sobreviveu. 'Dinheiro de cofre público sendo usado para bancar colônia de férias de criminoso é, no mínimo, piada de mau gosto. Mais de R$ 200.000,00 do Estado gastos com tratamento de alguém com uma esquizofrenia tanto quanto seletiva?', disse. A família contesta a versão de que o crime teria sido cometido durante um suposto surto psiquiátrico. O advogado que representa os familiares de Gleici, Rodrigo Pouso Miranda, também divulgou trechos de imagens das câmeras de segurança da residência e afirmou que o material pode ajudar a esclarecer o comportamento do acusado antes do assassinato. Em uma das publicações, o advogado declarou que as imagens indicariam uma sequência de acontecimentos que, na avaliação da defesa da família, apontaria para uma ação planejada. Os vídeos, segundo ele, registrariam discussões entre o casal nos dias anteriores à morte. Entre os assuntos mencionados nas discussões estariam dinheiro, uma botina, uma antena Starlink e uma quantia de R$ 2,2 mil. O advogado também afirmou que Daniel teria feito ameaças contra Gleici e a filha dois dias antes do crime. Conforme o relato apresentado pelo representante da família, uma irmã de Daniel teria tomado conhecimento da suposta ameaça e orientado Gleici a esconder as facas da residência. Ainda segundo essa versão, Daniel teria descoberto que a esposa havia sido avisada e ficado irritado. A família também sustenta que havia uma consulta psiquiátrica marcada para a tarde de 24 de junho de 2025. Segundo o advogado, Daniel teria concordado em comparecer, mas, horas antes do atendimento, teria pegado uma faca. Naquela manhã, Gleici, de 42 anos, foi atacada enquanto dormia e morreu. A filha caçula também foi ferida e sobreviveu ao ataque. Desde então, Caroline passou a cuidar da irmã e tem utilizado as redes sociais para cobrar Justiça pela morte da mãe. Em uma publicação feita um ano após o feminicídio, ela relatou a dificuldade de lidar com a ausência de Gleici e afirmou que continuará lutando pela irmã e pela responsabilização do acusado. A discussão sobre a saúde mental de Daniel é um dos principais pontos do processo. A defesa sustenta que ele não tinha consciência dos próprios atos no momento do crime, enquanto os familiares de Gleici contestam essa interpretação. O primeiro laudo relacionado à condição mental do acusado foi questionado, e uma nova avaliação passou a ser discutida no processo. As imagens divulgadas pelo advogado da família também deverão ser consideradas no contexto da apuração judicial. Enquanto a Justiça analisa a condição psiquiátrica de Daniel e as demais circunstâncias do caso, Caroline e os familiares de Gleici seguem defendendo que o crime seja analisado à luz dos acontecimentos que antecederam o assassinato.

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