O cancelamento da etapa de Abu Dhabi do Circuito Mundial de Surfe já impactou a configuração do ranking e traz um prejuízo de oportunidades para os brasileiros. A ausência da prova no calendário da World Surf League (WSL), os atletas do país perdem a chance de pontuar em um terreno de retrospecto favorável: as ondas artificiais.
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A etapa estava prevista para novembro e foi cancelada definitivamente na última sexta-feira (4), devido às restrições de voos internacionais e a instabilidade na região do Oriente Médio. Neste novo cenário, o Championship Tour, que a partir de 2026 voltou a ser disputado em formato de pontos corridos, passou a ter uma prova a menos.
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O problema é que a redução do número de etapas da temporada alterou a dinâmica de corte e descartes, e fez com que Ítalo Ferreira caísse da primeira para a segunda posição. Na nova configuração, o brasileiro teve 3320 pontos descartados, enquanto o rival direto Leonardo Fioravanti perdeu apenas 1000 e assumiu a ponta.
Domínio brasileiro nas piscinas
Para além do impacto direto na pontuação, os brasileiros também contavam com um histórico positivo nas etapas de ondas artificiais, desde que passaram a integrar o circuito. Em 2018 e 2019, Gabriel Medina venceu as edições do Surf Ranch, complexo criado por Kelly Slater, na Califórnia. Em 2021, o campeão foi Filipe Toledo. A etapa de Abu Dhabi foi incluída no Championship Tour em 2025 e a escrita foi mantida, com Ítalo Ferreira conquistando o título.
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Esse retrospecto favorável pode ser explicado por um "encaixe" entre as condições das disputas em ondas artificiais e o estilo da Brazilian Storm. Em um ambiente mais controlado do que o natural, o surfista sabe com mais precisão como a onda vai se comportar, o que dá mais importância para a execução técnica. Nesse cenário, surfistas que combinem velocidade, potência e variedade de manobras, principalmente as aéreas - características fortes nos brasileiros - se sobressaem.
Nomes como Ítalo Ferreira, Filipe Toledo e Tati Weston-Webb costumam treinar com frequência em piscinas de ondas e já defenderam publicamente que o formato seja adotado em competições, inclusive nos Jogos Olímpicos. Após a vitória de Ítalo Ferreira em Abu Dhabi, Medina comemorou dizendo que, se a WSL incluisse mais dez eventos em piscinas, o triunfo seria brasileiro.
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Campeão da etapa de Abu Dhabi da WSL em 2025, Ítalo Ferreira surfa segurando a bamdeira do Brasil (Foto: WSL)
Brazilian Storm ainda domina top-5
Apesar da troca de liderança, o Brasil ainda domina o top-5 do Championship Tour. Atrás do italiano Leonardo Fioravanti, que assume a lycra amarela, seguem Ítalo Ferreira, Yago Dora, Gabriel Medina e Miguel Pupo.
A próxima etapa do Circuito Mundial de Surfe será disputada em Trestles, na Califórnia, palco da modalidade nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. O evento tem janela entre os dias 11 e 20 de setembro.
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