Pedidos de investigação, de destituição e até de prisão contra o magistrado deram o mote à maioria dos actos cívicos ou eleitorais.
O juiz do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, cujos métodos na condução de processos e julgamentos são criticados há anos, foi alvo esta segunda-feira, Dia da Independência do Brasil, de críticas e protestos em inúmeras manifestações realizadas de norte a sul do país. Pedidos de investigação, de destituição e até de prisão contra o magistrado deram o mote à maioria dos actos cívicos ou eleitorais.
As críticas ao magistrado, até há pouco restritas à direita e extrema-direita por em Setembro do ano passado ter condenado o ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos e 3 meses de prisão num julgamento repleto de polémicas, passaram a ser endossadas também por políticos de centro e até por aliados de Lula da Silva, maior beneficiado por algumas das decisões de Moraes. Por todo o Brasil, em actos da campanha eleitoral visando as presidenciais e gerais de 4 de Outubro ou em cerimónias do Dia da Independência, as críticas a Alexandre de Moraes sobrepuseram-se a todos os outros assuntos que convulsionam a política brasileira.
Nas duas manifestações realizadas em São Paulo, a primeira comandada de manhã pelo presidenciável Romeu Zema, ex-governador do estado de Minas Gerais, e a segunda à tarde capitaneada por Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro e segundo colocado na corrida presidencial, Alexandre de Moraes foi o nome mais criticado, mais até do que o actual presidente brasileiro e candidato à reeleição, Lula da Silva. Ao longo da Avenida Paulista, palco das duas manifestações, faixas e cartazes hostilizavam Moraes e grandes fotografias dele mostrando-o atrás das grades foram penduradas em edifícios.
Além dessas críticas da direita, nomes do Centrão, como o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e candidato a senador Guilherme Derrite também pediram o impeachment imediato de Alexandre de Moraes. Até aliados de Lula da Silva, que chegou a dizer tempos atrás que sem Moraes e o STF não teria conseguido governar, vieram a público pedir a destituição do magistrado, caso da ex-ministra do Planeamento, Simone Tebet, ou pedir uma investigação rigorosa contra ele, como fez a ex-ministra do Ambiente, Marina Silva.
Em todos os actos pelo país em que Alexandre de Moraes foi o principal alvo, os seus críticos tiveram o cuidado de separar o agressivo juiz do restante dos magistrados da mais alta instância da justiça do Brasil. Foi o que fez o seu principal crítico, Flávio Bolsonaro, que teve o cuidado de dizer que o Supremo Tribunal Federal é uma instituição respeitável e essencial para o Brasil, o problema é Alexandre de Moraes, a quem classificou como uma maçã podre que não pode deixar-se que contamine todo o STF.
Sempre criticado pela forma extremamente agressiva e apressada como conduz processos e julgamentos, reduzindo drasticamente a possibilidade de defesa, Moraes viu a sua impopularidade disparar decisivamente na semana passada, quando um colega do STF, juiz André Mendonça, decidiu tornar público um relatório sigiloso da Polícia Federal que atingiu em cheio o magistrado. Esse relatório revelou 58 mensagens trocadas entre o juiz e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso em Março por comandar o maior esquema de burlas já descoberto no sistema financeiro brasileiro, em que o acusado se aconselha com Moraes sobre os seus negócios ilícitos, pede protecção e combina a melhor forma de fugir a eventuais problemas com as autoridades e sobre a necessidade de fugir do Brasil para não ser preso.
(0)Comments