Pejotização já envolve 5 milhões de trabalhadores e pode gerar perda de R$ 105 bilhões em arrecadação

Pejotização já envolve 5 milhões de trabalhadores e pode gerar perda de R$ 105 bilhões em arrecadação
View on original source
Category: Financial
Share
Archive
Like
Cerca de 5 milhões de trabalhadores que deixaram empregos com carteira assinada entre janeiro de 2022 e março de 2026 migraram para o regime de Microempreendedor Individual (MEI) no mesmo mês ou no mês seguinte ao desligamento. O número representa aproximadamente 30% dos 16,75 milhões de MEIs existentes atualmente e reforça o avanço da chamada 'pejotização' no mercado de trabalho brasileiro. Segundo estudo do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), obtido pela imprensa e elaborado com estimativas próprias e dados da Receita Federal, a migração de trabalhadores do regime CLT para a prestação de serviços como pessoa jurídica provocou uma perda estimada de R$ 105 bilhões em arrecadação entre janeiro de 2022 e julho de 2025. O cálculo considera a redução nas contribuições de empresas e trabalhadores para a Previdência Social, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e o Sistema S. A pejotização ocorre quando trabalhadores que, na prática, podem manter características semelhantes às de um empregado formal passam a prestar serviços como pessoa jurídica. A modalidade pode reduzir os custos para as empresas, mas também diminui a proteção trabalhista e as contribuições vinculadas ao emprego com carteira assinada. MEI foi criado para reduzir informalidade O regime de Microempreendedor Individual foi criado em 2008 com o objetivo de formalizar trabalhadores autônomos e informais, reduzir a burocracia e garantir uma contribuição mínima para a Previdência Social. Atualmente, o MEI recolhe, por padrão, 5% do salário mínimo ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O empreendedor pode optar por contribuir com valores maiores. Segundo Paula Montagner, subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho, a arrecadação feita pelos MEIs ao longo dos 15 anos de existência do regime foi suficiente para custear apenas cerca de três anos de suas aposentadorias. 'O problema é que é uma contribuição simbólica. O MEI pode optar por contribuições mais altas, mas a maioria das pessoas não faz. Contribui pelo básico, que é 5%', afirmou. Para a subsecretária, a redução das contribuições patronais também representa um desafio para o financiamento da Previdência e de outros mecanismos de proteção social. Governo suspeita de vínculos disfarçados O Ministério do Trabalho avalia que parte dos trabalhadores que passaram de CLT para MEI pode continuar exercendo funções semelhantes às de empregados, mas formalmente como prestadores de serviço. Segundo Montagner, o governo suspeita que muitos desses profissionais continuem trabalhando exclusivamente para uma única empresa e cumprindo jornada e outras obrigações características de uma relação de emprego. A análise foi possível a partir de dados coletados desde janeiro de 2022, quando o eSocial passou a receber obrigatoriamente informações de micro e pequenas empresas. Tema está em discussão no STF A legalidade da pejotização é discutida no Supremo Tribunal Federal (STF). Em abril de 2025, o ministro Gilmar Mendes reconheceu a repercussão geral de uma ação que trata desse tipo de vínculo trabalhista. Com a decisão, os processos relacionados à pejotização que tramitavam na Justiça do Trabalho foram inicialmente suspensos. A medida provocou divergências entre o Supremo e os tribunais trabalhistas sobre a competência para analisar essas ações. Em junho deste ano, Gilmar Mendes retirou a suspensão para os processos que estavam em primeira e segunda instâncias. Com isso, essas ações voltaram a tramitar. A suspensão, entretanto, permanece para processos que estão no Tribunal Superior do Trabalho (TST) e no próprio STF, até que o Supremo estabeleça uma posição definitiva sobre o tema. O STF já havia decidido, em 2018, pela licitude da terceirização de atividades e estabelecido que esse tipo de contratação, por si só, não caracteriza vínculo empregatício com a empresa contratante. Impacto pode chegar a R$ 30 bilhões em 2027 A Receita Federal estima que o país poderá deixar de arrecadar até R$ 30 bilhões em 2027 caso a pejotização seja considerada válida na tese de repercussão geral que será analisada pelo STF. A redução de custos é apontada como um dos fatores que estimulam empresas a adotarem esse modelo de contratação. Segundo estimativa de Nelson Marconi, professor de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), um trabalhador contratado pelo regime CLT pode representar um custo até 60% maior para a empresa do que um profissional contratado como pessoa jurídica. O debate no STF deverá definir os limites legais para esse tipo de contratação e terá impacto tanto sobre empresas e trabalhadores quanto sobre a arrecadação e o sistema de proteção social brasileiro.

(0)Comments

 

A note on cookies

Newshunt uses essential cookies to keep you signed in and to remember your language and country, so the site works the way you expect. With your permission, we'd also like to use analytics cookies to understand how people use Newshunt and improve it over time.

Accepting only affects analytics. To learn more, view our Privacy Policy or Terms & Conditions.