Brasil está entre as regiões que podem ficar mais secas até 2100; estudo prevê avanço das áreas secas para mais de 40% das terras

Brasil está entre as regiões que podem ficar mais secas até 2100; estudo prevê avanço das áreas secas para mais de 40% das terras
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Category: SciTech
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Início › Notícias › Meio Ambiente Estudo projeta que áreas áridas e semiáridas podem ocupar mais de 40% das terras do planeta até o fim do século Lidia Gabriella Florianópolis Compartilhe O Brasil está entre as regiões que podem ficar mais secas até 2100, segundo um estudo publicado na revista científica Environmental Research Letters. A pesquisa aponta que áreas áridas e semiáridas podem representar entre 39,31% e 40,28% das terras do planeta entre 2071 e 2100, dependendo do cenário de emissões de gases de efeito estufa. O levantamento analisou a distribuição das áreas entre 1960 e 2023 e projetou como elas podem mudar nas próximas décadas. No período de referência, entre 1994 e 2023, as regiões classificadas como secas correspondiam a cerca de 38,58% da superfície terrestre global. Quais são as regiões que podem ficar mais secas até 2100? Entre as áreas apontadas pelos pesquisadores com maior tendência de secamento estão Austrália, Brasil e norte da África. A Austrália aparece como a região onde as mudanças podem ser mais intensas, seguida pelo território brasileiro. O estudo também identificou áreas com tendência oposta, com partes do noroeste da China podendo apresentar mais aumento da umidade. Isso significa que o avanço das áreas secas não ocorrerá de maneira uniforme pelo planeta. Enquanto algumas regiões podem enfrentar condições mais áridas, outras podem registrar aumento da disponibilidade relativa de água. Áreas secas podem superar 40% das terras As projeções indicam que as regiões áridas e semiáridas podem representar entre 39,31% e 40,28% das terras do planeta no período de 2071 a 2100. No cenário de emissões de gases de efeito estufa, a estimativa chega a 40,28%. Isso representa um aumento de aproximadamente 2,37 milhões de quilômetros quadrados em relação ao período de referência utilizado pelos pesquisadores. O número, porém, não significa que 40% das áreas atualmente úmidas do planeta necessariamente se transformarão em regiões áridas. A porcentagem representa a participação total das terras classificadas como secas de acordo com os critérios utilizados no estudo. Como os cientistas definem uma área seca? Para a pesquisa, são consideradas áreas secas aquelas em que a disponibilidade de água é limitada em relação à quantidade que poderia retornar à atmosfera por meio da evaporação do solo e da transpiração das plantas. Esse equilíbrio entre água disponível e perda de água é utilizado para classificar diferentes regiões de acordo com o grau de aridez. Entre 1960 e 2023, a extensão global das áreas classificadas como secas aumentou, em média, aproximadamente 39,1 mil quilômetros quadrados por ano, embora tenham ocorrido oscilações ao longo do período. O que pode acontecer com o Brasil? O Brasil aparece entre os territórios com maior tendência de secamento nas projeções para o fim do século. O estudo, porém, não determina como cada parte do país será afetada. A projeção aponta uma tendência climática regional e não significa que todo o território brasileiro ficará mais seco da mesma maneira. Os autores destacam que fatores relacionados ao uso da terra e aos recursos hídricos também podem alterar os impactos observados em cada região. Retirada de água subterrânea, irrigação, mudanças na vegetação e diferentes formas de ocupação do solo, por exemplo, não foram incorporadas diretamente ao modelo utilizado no trabalho. CO₂ pode mudar a velocidade do avanço da aridez Um dos pontos considerados pelos pesquisadores foi o efeito do aumento da concentração de dióxido de carbono (CO₂) sobre as plantas. Quando a concentração de CO₂ aumenta, algumas plantas podem reduzir a abertura dos estômatos, estruturas presentes nas folhas responsáveis pelas trocas gasosas. Com isso, a vegetação pode perder menos água por transpiração. Esse mecanismo foi incorporado às projeções e fez com que a expansão das áreas secas estimada pelo estudo fosse menor do que em modelos que não consideram essa resposta das plantas. Estudo prevê avanço menor que estimativas anteriores O resultado também se diferencia de algumas projeções anteriores. Pesquisas que não incorporavam o efeito fisiológico do CO₂ chegaram a indicar que as áreas secas poderiam ocupar até 56% das terras do planeta até 2100. O novo trabalho aponta uma expansão global mais moderada, de até 40,28% no cenário de maiores emissões analisado. Isso não elimina a tendência de aumento da aridez. Segundo os pesquisadores, as mudanças regionais ainda podem ser expressivas, especialmente nas áreas identificadas como potenciais focos de secamento. Projeção não determina como será a disponibilidade de água Os pesquisadores ressaltam que os resultados são baseados principalmente em condições climáticas e, por isso, não permitem determinar exatamente como cada ecossistema ou região responderá nas próximas décadas. A disponibilidade real de água também depende de fatores que vão além das condições climáticas, como consumo, irrigação, alterações na vegetação e uso do solo. Por isso, os autores defendem que futuras análises combinem as projeções climáticas com informações sobre recursos hídricos e uso da terra. Tópicos relacionados Lidia Gabriella Repórter Lidia Gabriella é repórter do ND Mais, no Núcleo Nacional, e acompanha de perto as tendências digitais e os assuntos que mais repercutem no noticiário brasileiro e mundial. Curiosa e atenta aos temas que movimentam o país, escreve sobre comportamento, entretenimento, ciência, astrologia e assuntos que repercutem nas redes e no cotidiano dos leitores. É jornalista em formação pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e atua na área esde 2022. Tem experiência em portal de notícias e assessoria de comunicação no Ceart-Udesc. Participou de coberturas de Carnaval, Olimpíadas e das enchentes no Rio Grande do Sul. Também cobriu as Eleições 2024 pelo ND Mais, focada na produção de matérias factuais sobre o andamento do pleito em diversas cidades do Brasil. Leia mais ▾ Só precisamos de alguns dados para a redação entrar em contato, se necessário. Notícias

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