O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, defendeu nesta terça-feira que o Escritório de Comunicação de seu departamento elaborasse um dossiê com uma lista de jornalistas, alegando que se tratava de um "documento interno de trabalho" que, segundo ressaltou, não respondia a nenhuma "finalidade espúria".
"Segundo me foi transmitido, é um documento de trabalho simplesmente para conhecer e saber o que se diz da atualidade", assinalou Marlaska em resposta à imprensa de Ceuta. Ao ser questionado novamente, comentou que o dossiê serviria para ajudar a "transmitir a mensagem do ministério".
O titular do Interior insistiu que "de modo algum" desde o Ministério que lidera desde 2018 se "realizam diferenças nem entre meios nem entre jornalistas na hora de dar a informação e de responder a qualquer requerimento".
"Faltaria mais", acrescentou, ressaltando que são "proativos" em tudo que diz respeito ao direito à informação. "Desde logo é um valor e um princípio no conjunto do Ministério do Interior e, em concreto, também em sua área de comunicação", argumentou.
Nesta linha, Marlaska qualificou como "uma prioridade máxima" a proteção dos profissionais dos meios de comunicação frente a possíveis agressões durante as coberturas informativas que estão realizando sobre a crise de Ceuta, após a entrada de mais de 72.000 pessoas no final de julho.
Na coletiva de imprensa posterior ao Conselho de Ministros, a ministra porta-voz, Elma Saiz, sublinhou que o Executivo respeita "profundamente" a liberdade de imprensa e que "age em consequência todos os dias".
"Quero lembrar que os de entrar com um lança-chamas na TVE ou os de 'vamos triturar vocês' não somos nós. Este Governo respeita profundamente o trabalho dos meios de comunicação, acredita firmemente na liberdade de imprensa e age com consequência todos os dias", indicou a ministra Elma Saiz.
Segundo avançou "El Confidencial", o primeiro pedido ao Escritório de Comunicação foi realizado em datas próximas ao Natal de 2023. Na lista finalmente confeccionada, estavam incluídas junto a cada jornalista descrições como "afim ao PSOE", "tendência conservadora", "independente" ou "apoia o Governo".
Fontes do Ministério do Interior confirmaram que o Escritório de Comunicação do departamento que dirige Fernando Grande-Marlaska elaborou um documento informativo de uso interno no qual estavam incluídos diversos jornalistas.
Da mesma forma, enfatizaram que o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, nem ordenou a elaboração dessa lista de comentadores e jornalistas nem teve conhecimento da mesma até que foi revelada pela imprensa. Também reiteraram que o Ministério sempre atendeu a todos os meios e profissionais, "sem distinções".
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