Primeiro romance de Elisama Santos, "Mesmo Rio"chega ao teatro trazendo uma história sobre encontro e memória familiar

Primeiro romance de Elisama Santos, "Mesmo Rio"chega ao teatro trazendo uma história sobre encontro e memória familiar
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Category: Entertainment
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Na noite de Natal, mãe e filhas interrompem a ceia para uma conversa adiada por anos. Pela primeira vez, Maria Lúcia, Marília e Rita, as mulheres da família Soares, encontram tempo para confrontar suas memórias e dizer o que nunca conseguiram dizer umas às outras. Entre afetos, traumas, ausências e formas de amar e ferir, Mesmo Rio , primeiro romance de Elisama Santos, chega ao palco do Teatro de Arena do Sesc Copacabana com uma história sobre os vínculos familiares, suas heranças e aquilo que podemos interromper. Com dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro e encenação de Renata Tavares, o espetáculo fica em cartaz de 17 de setembro a 18 de outubro, com sessões de quinta a sábado, às 20h, e domingos, às 18h. A temporada é contemplada pelo edital Sesc Pulsar 2026. A dramaturgia de Rafael Souza-Ribeiro parte dessa matéria íntima sem tentar simplesmente transportar o romance para o palco. A partir dele, cria um dispositivo próprio para a cena: reúne Maria Lúcia, Marília e Rita numa mesma noite e faz desse encontro o presente da peça. A matéria literária se reorganiza, tempos se sobrepõem, diferentes versões entram em conflito e aquilo que habita a intimidade das personagens passa a nutrir o jogo entre elas. 'O tempo deixa de ser cronológico e a memória invade o presente', explica. Para Rafael, o encontro com Mesmo Rio permitiu aprofundar uma pesquisa dramatúrgica que já desenvolve em torno do melodrama e das relações familiares. Aqui, ela passa pela experiência de uma família negra e, especialmente, dessas três mulheres. 'Me interessa trabalhar com personagens em toda a sua riqueza e complexidade, escapando de lugares previsíveis e rasos. Elas amam, ferem, cuidam, erram e recomeçam. Nenhuma delas cabe numa definição simples', defende. Foto: Renato Mangolin Para Renata Tavares, esse é um dos aspectos centrais da montagem. 'A ideia sempre foi fazer com que essas mulheres não fossem julgadas a partir de uma lógica de bem e mal. São seres humanos. E cada pessoa carrega em si a sua bondade e a sua maldade', afirma a encenadora, primeira mulher negra a receber os prêmios Shell e APTR de Melhor Direção por 'Nem todo filho vinga'. A ausência de uma verdade definitiva também desloca o espectador. Em vez de acompanhar a história à procura de quem tem razão, o público é colocado diante de diferentes maneiras de lembrar e interpretar uma mesma experiência. É uma operação particularmente próxima da experiência de Elisama Santos, que diz receber relatos de leitores que se reconheceram no romance e chegaram a levá-lo para a terapia. 'Espero que as pessoas consigam olhar para as famílias de forma tridimensional. Que consigam perceber que somos mais que os papéis sociais de mãe, filha, irmã', diz a autora. A montagem também mantém uma dimensão importante do livro: a representação de uma família negra que não precisa existir exclusivamente em torno da dor ou da resistência. Para Elisama, é significativo mostrar personagens negras vivendo experiências cotidianas, com amor, desejo, humor e contradições. 'É tão importante nos vermos vivendo, casando, namorando, simplesmente existindo, para além da resistência e das histórias de dor', afirma. A questão racial, no entanto, não desaparece da narrativa. Para Renata, a montagem é uma possibilidade de reunir mulheres negras contando histórias complexas e contraditórias, sem abrir mão das experiências raciais que atravessam suas trajetórias. 'Existe uma luta diária para existir, para ser escutada e para ocupar determinados espaços', reforça. Ao mesmo tempo, a encenadora rejeita a ideia de pessoas exemplares e sem contradições. 'Não me interessa uma construção idealizada dessas personagens. Essa é uma família que existe e que pode ser reconhecida em muitas casas brasileiras.' No palco, Graciana Valladares e Mila Moura interpretam as filhas Marília e Rita, enquanto Sirléa Aleixo, vencedora do Prêmio Shell de Melhor Atriz por Furacão , vive Maria Lúcia. A direção musical é de Ifátókí Maíra Freitas. Serviço Temporada: 17 de setembro a 18 de outubro de 2026Não haverá apresentações: de 1° a 4 de outubroDias da semana: de quinta a domingoHorário: quinta e sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18hLocal: Teatro de Arena do Sesc Copacabana Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ Duração: 75 minutosClassificação: 12 anosIngressos: R$ 40 (inteira); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniados empresário); R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada); gratuito (público PCG)Capacidade: 260 lugares Gênero: drama

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