O Fundo das Nações Unidas para a Infância no Brasil (UNICEF), em parceria com a NIVEA, acaba de lançar o Guia de Promoção da Saúde Mental de Jovens no Mundo de Trabalho, uma publicação voltada a empresas, gestores, lideranças e profissionais interessados em fortalecer o cuidado e a proteção de adolescentes e jovens no ambiente corporativo.
Com dados, reflexões, relatos de experiências e recomendações práticas, o objetivo é ampliar a compreensão sobre os desafios enfrentados por eles e estimular empregadores de forma geral a adotarem ações que contribuam para um mercado mais acolhedor e seguro. 'Preparar a juventude para acessar oportunidades de educação e trabalho vai além da formação técnica', ressalta Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil. 'Também significa apoiar a construção de projetos de vida, fortalecer habilidades socioemocionais e garantir acesso a redes de proteção'.
Pata Ana Bógus, CEO da Beiersdorf, casa de NIVEA e Eucerin no Brasil, o setor privado pode ser um agente de transformação nesse sentido, ao promover uma cultura organizacional de cuidado, escuta e desenvolvimento. 'Como líderes, temos a responsabilidade de contribuir para a construção de ambientes em que adolescentes e jovens se sintam acolhidos, respeitados e preparados para desenvolver todo o seu potencial', afirma.
Entre os temas abordados estão fatores de risco e proteção para a saúde mental, escuta ativa, pertencimento, capacitação socioemocional, segurança psicológica e caminhos para implementação de ações práticas. A seguir, confira 7 orientações práticas para reduzir o problema e melhorar o dia a dia do trabalho de acordo com o material:
1.Observe mudanças de comportamento: queda de rendimento, isolamento, irritabilidade, falta de apetite ou dificuldade de concentração podem indicar que algo não está bem.
2.Ao ouvir um pedido de ajuda, ofereça acolhimento: converse em um ambiente silencioso, com escuta respeitosa e sem julgamentos, com muita atenção para evitar revitimização, ou seja, fazer a pessoa reviver o sofrimento, sentir-se culpabilizada ou passar novamente por situações constrangedoras ao buscar ajuda. É fundamental não pedir detalhes do episódio de violência, não investigar o diagnóstico e não expor a situação à equipe. Muitas vezes, jovens evitam pedir ajuda por receio de serem estigmatizados ou penalizados. Aqui, o guia faz um alerta para os limites de confidencialidade: 'a liderança não deve assegurar sigilo absoluto diante de situações que envolvam risco à vida, violência ou outras circunstâncias que demandem medidas de proteção ao adolescente'.
3.Compreenda o contexto: antes de interpretar como falta de comprometimento, avalie se há fatores do ambiente de trabalho ou externos que influenciam o comportamento.
4.Identifique possíveis fatores de risco no ambiente: verifique se há sobrecarga de tarefas, metas pouco realistas, falta de orientação, conflitos na equipe, comunicação desrespeitosa, práticas discriminatórias, jornadas desorganizadas ou ausência de pausas.
5.Ajuste condições e fortaleça o apoio: sempre que possível, reorganize tarefas, detalhe expectativas, ofereça orientação mais próxima e incentive relações de trabalho baseadas em respeito, colaboração e diálogo aberto.
6.Acione apoio quando necessário: se os sinais indicam sofrimento mais intenso, oriente o jovem sobre canais de apoio disponíveis e, quando apropriado, apoie no encaminhamento para serviços especializados.
7.Estruture o retorno ao trabalho após afastamento: em casos de afastamento do trabalho por motivos de saúde mental, construa o plano de retorno com apoio de profissional especializado, considerando ajustes graduais de carga, tarefas e expectativas. O retorno deve ser acompanhado, evitando a retomada das mesmas condições que podem ter contribuído para o afastamento voltadas a adolescentes e jovens.
Para fazer download da publicação, acesse o Guia de Promoção da Saúde Mental de Jovens no Mundo do Trabalho.
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