Porto Alegre tem 2,5 mil contêineres
Lucas Abati / Agência RBS
Em agosto, recebi uma reclamação genuína: uma síndica de um prédio do centro histórico de Porto Alegre pedia ajuda para trocar um container de lixo de local. Ela havia aberto inúmeros protocolos no telefone 156 da prefeitura.
A quantidade de lixo acumulado diariamente na porta do condomínio, na Avenida Borges de Medeiros, trouxe ratos e baratas, que entram com frequência no prédio. A síndica sequer cogitava a retirada definitiva dos equipamentos; pedia apenas que fossem deslocados para outro ponto, se possível do outro lado da rua. No entanto, não foi atendida pelo Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU).
Questionei a prefeitura sobre o caso e ouvi os mesmos argumentos: há uma regra rígida a ser seguida que impossibilita a remoção dos recipientes. Em suma, a orientação é para que os moradores se acostumem com o transtorno.
O que o DMLU poderia fazer era pedir a intensificação da fiscalização para que os resíduos ficassem dentro dos contêineres. Mas sabemos que esse tipo de medida paliativa não dura mais de duas semanas.
Não sei se você já teve o desprazer de ficar próximo a um desses contêineres por mais tempo do que o necessário para descartar uma sacola de lixo. É repugnante. Imagine conviver com um equipamento assim em frente ao próprio comércio ou à própria residência. E nem é preciso haver lixo no entorno para que eles exalem fedor.
Porto Alegre conta hoje com 2.050 equipamentos para o recolhimento de resíduos orgânicos e outros 450 destinados ao lixo seco. Iniciada em 2011, a coleta automatizada completa 15 anos de implementação na Capital.
Infelizmente, a população não descarta os resíduos de maneira adequada nos bairros atendidos. Além disso, catadores buscam nos contêineres meios de sobrevivência, o que dificulta ainda mais a eficácia do sistema.
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