A possibilidade de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastar o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, passou a ser tratada como cenário real em Brasília e mobilizou o alto escalão do governo em uma série de reuniões para conter a escalada da crise. Participaram dos encontros o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. O próprio Andrei chegou a se reunir com o presidente do STF, Edson Fachin.
Nos bastidores, o objetivo era 'acalmar ânimos' e preservar o 'diálogo institucional'. A movimentação, porém, não impediu que o episódio se tornasse um dos mais delicados da relação entre a Corte e a corporação nos últimos anos. Ministros do STF ouvidos nos bastidores avaliam que faltou uma ação mais enérgica do governo para evitar o desgaste, e ressaltam que nem o ministro da Justiça saiu em defesa da PF.
Origens da tensão
O estremecimento entre Mendonça e Andrei não é recente. O ministro vinha reclamando da postura da PF e apontava seletividade na apuração de casos sensíveis, como o inquérito sobre o chamado caso Master e as investigações de fraudes nos descontos do INSS. Em determinado momento, Mendonça chegou a abrir um procedimento interno em seu gabinete para avaliar se havia indícios de que o chefe da PF atuava deliberadamente para atrapalhar as apurações.
Do lado de Andrei, também havia descontentamento com a atuação do ministro nos dois casos. Os atritos se intensificaram após decisão de Mendonça, tomada em fevereiro, quando assumiu a relatoria do caso Master. Na ocasião, o ministro determinou que, 'em todo caso, deve ser mantido o dever de sigilo profissional pelas autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos reciprocamente compartilhados, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas'.
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