OPINIíO: O espirro de extrema-direita na Alemanha

OPINIíO: O espirro de extrema-direita na Alemanha
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Category: Politics
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a Alemanha espirra, a Europa constipa-se. Uma expressão popularizada pela força motora da sua economia e a sua influência em todos as países europeus, mesmo os periféricos, como Portugal. Se na sede da Volkswagen se começa a discutir a redução da força de trabalho e o fecho de fábricas, há por cá arrepios de espinha, tal é o peso da Autoeuropa nas exportações e no ecossistema industrial que não haja indicadores tão evidentes para fenómenos mais políticos, há também aí razões para profunda preocupação. Este domingo, nas eleições regionais do estado da Saxónia-Anhalt, a dúvida é se a Alternativa para a Alemanha (AfD), a Direita mais extrema, conseguirá ou não uma maioria absoluta, derrubando uma barreira que se mantinha firme desde o final da Segunda Guerra Mundial. partido que quer mudar os manuais de História e retirar peso ao estudo do regime nazi (certamente influenciado pelos elementos neonazis nas suas fileiras); que defende a "remigração", ou seja, a expulsão de imigrantes e de cidadãos alemães cujo passado não seja suficientemente puro; que propõe a segregação de crianças refugiadas em escolas separadas; que promove as "famílias normais" em detrimento dos "desvios sexuais e os estilos de vida não reprodutivos". Um manual tão extremista que, nas últimas europeias, boa parte da extrema-direita europeia (incluindo o Chega) achou por bem afastar-se da AfD, embora tenha sido um afastamento mais tático alemães do Leste poderão ser os primeiros a colocar a extrema-direita no poder na Alemanha. E provavelmente contaminarão a política alemã e a europeia. Mas não vale a pena culpar eleitores supostamente ignorantes. A responsabilidade será sempre dos partidos que dominaram a política nas últimas décadas. Quando a CDU (centro-direita) e o SPD (centro-esquerda), somados, não conseguem atrair mais do que um terço dos votos (na Saxónia e nas sondagens ao nível nacional), isso significa que não estão a ser capazes de resolver os problemas dos cidadãos. Convém aprender a lição, antes que seja demasiado tarde. Na Alemanha, Barbosa – Jornal de Notícias - 6 de setembro, 2026

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