Estas posições foram assumidas na Assembleia da República, durante o debate da moção de censura ao Governo PSD/CDS-PP apresentada pelo Chega contra a manutenção de Luís Neves no cargo de ministro da Administração Interna, e que tem chumbo garantido, com a abstenção PS.
Nesta ocasião, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, voltou a defender que o Governo merece censura numa altura em que "salários rendimentos e pensões são comidos pelo aumento brutal do custo de vida" e perguntou ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, "por que não pega nos 8% que o Estado tem hoje na Galp para fixar os preços dos combustíveis".
Depois, Paulo Raimundo acusou o Chega de ignorar o aumento do custo de vida tanto no texto da sua moção de censura – em relação à qual o PCP se irá abster – como na intervenção de abertura deste debate feita por André Ventura: "Não há uma palavra sobre o custo de vida, combustíveis, saúde, salários – nada, zero, passa tudo ao lado".
"Chego a uma conclusão: o senhor primeiro-ministro com o Chega pode estar descansado, para lá da gritaria, para lá da agitação, pode estar descansado porque não vai pôr em causa nunca a vossa, a sua opção política. E até lhe digo mais: se o PS não lhe desse a mão como se está a preparar para dar no Orçamento do Estado, teria ali no Chega a força que daria as cambalhotas necessárias para manter a sua política em curso, porque é fundamental e apoia a sua política", acrescentou.
O líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, que interveio a seguir, dirigiu-se diretamente ao presidente do Chega, André Ventura, a quem disse: "O senhor deputado é só fogacho e esta moção de censura é apenas mais um fogacho depois da moção de censura que apresentou há uns meses atrás".
"O mais estranho, o que mais impressiona é esta vontade do Chega de deitar abaixo os governos da AD, que finalmente regularam a imigração, que finalmente reduziram os fluxos migratórios em 80% face ao pico de desgoverno do PS, que valorizam os militares e as forças de segurança, que aumentam as pensões, principalmente as pensões para os mais carenciados, como vai acontecer outra vez este ano, e que atacaram de frente os preconceitos ideológicos da esquerda no ensino", comentou.
"É contra isto que o Chega é? São estas as políticas que querem derrubar?", questionou o líder parlamentar do CDS-PP.
Paulo Núncio comparou o Chega ao PCP, referindo que "em dois anos de governação da AD, o camarada André Ventura já ultrapassou o camarada Paulo Raimundo nas moções de censura aos governos da AD", e anteviu que vai superar "num saltinho" as 11 moções de censura apresentadas pelo PCP em 50 anos. O Chega apresentou, até agora, quatro, contando com esta moção.
Na resposta a estas intervenções, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, qualificou o Chega como um partido que "fala, fala, fala, mas não constrói nada que melhore a vida das pessoas" e que se perde "na espuma do número político, de aparecer antes dos outros", em concorrência com BE e PCP.
Na sua interpelação ao primeiro-ministro, o líder parlamentar do CDS-PP não falou sobre Luís Neves, enquanto o secretário-geral do PCP considerou que o ministro da Administração tem de dar explicações e que a sua situação "é um problema do Governo", mas que contribui para ocultar outros temas como planos de privatizações.
Sobre o aumento do custo de vida, Luís Montenegro respondeu ao PCP que o Governo tem adotado medidas extraordinárias, que irá "continuar a calibrar", para minorar os efeitos sobre as famílias, e destacou "um novo suplemento extraordinário para os pensionistas e uma nova diminuição do IRS até ao sexto escalão" hoje anunciados.
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