Por Marcelo Dutra, ecólogo, doutor em Ciências e professor da Furg
A Região Sul está dando um passo importante para transformar seus potenciais em oportunidades concretas de desenvolvimento. Estão em andamento as tratativas para a criação de uma nova Agência de Desenvolvimento, uma entidade articuladora voltada à integração dos setores econômicos e das forças vivas do território, que surge com o propósito de dar mais visibilidade aos nossos potenciais de desenvolvimento, conexões e busca ativa por novos investimentos. A ideia surgiu em 2024, logo depois das enchentes que atingiram duramente o Estado e expuseram nossas fragilidades, mas também revelaram a necessidade de repensarmos o futuro regional. Desde então, as articulações avançaram, amadureceram e ganharam forma.
Nesse período, quatro câmaras técnicas foram constituídas para ajudar a construir essa agenda: Resiliência Climática foi a primeira, seguida de Turismo, Inovação e Sustentabilidade. São espaços de diálogo e articulação que aproximaram empresas, entidades, governos, universidades, pesquisadores e organizações da sociedade. O trabalho já vem acontecendo, com reuniões, debates, encontros e aproximações entre diferentes atores. A Câmara Técnica de Sustentabilidade, por exemplo, tem promovido reuniões-almoço com empresas e instituições, colocando em discussão temas estratégicos para a economia regional, a transição energética, a descarbonização, a logística, a inovação e as novas oportunidades de mercado verde.
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Agora, é chegada a hora de dar formalidade a esse movimento. Não se trata simplesmente de criar mais uma entidade. Trata-se de construir uma estrutura capaz de conectar quem já faz, quem pesquisa, quem produz, quem governa e quem pode investir. Uma Agência que tenha como missão apresentar a Região Sul para além de suas dificuldades históricas, mostrando sua capacidade produtiva, sua localização estratégica, sua infraestrutura logística, seu potencial energético, sua produção agropecuária e agroindustrial, suas universidades, seus centros de pesquisa e, principalmente, sua capacidade de inovar.
O mundo está mudando, e os investimentos também. A emergência climática, os eventos extremos e a necessidade de maior segurança territorial estão fazendo com que empresas e cadeias produtivas revejam seus locais de operação. Centenas de negócios já buscam territórios mais seguros, resilientes e preparados para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas. Essa transformação representa um desafio, mas também uma oportunidade. A Região Sul precisa estar preparada para mostrar que possui espaços, infraestrutura, conhecimento científico, mão de obra qualificada e capacidade institucional para receber novos empreendimentos.
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Temos muito a oferecer. Podemos avançar na geração de energias limpas e de baixo carbono, na produção de biocombustíveis, na transformação de resíduos e subprodutos em novas cadeias econômicas, na inovação industrial, na economia do mar e na chamada economia azul. Temos um agronegócio forte, uma indústria diversificada, portos e aeroportos, rodovias, ferrovias, universidades e uma posição geográfica que pode ser melhor aproveitada. Há recursos e oportunidades ainda pouco explorados, capazes de sustentar novos ciclos de desenvolvimento.
Porém, não basta ter potencial. É preciso apresentar, organizar e vender.
Precisamos aprender a oferecer o que temos de melhor aos investidores em potencial e, ao mesmo tempo, oferecer segurança para que decidam investir aqui. Isso significa trabalhar para reduzir entraves, aproximar empreendedores dos governos, oferecer suporte técnico, facilitar informações, contribuir para processos de licenciamento mais eficientes e ajudar a construir um ambiente de negócios mais previsível, favorável e atraente. Desenvolvimento também é capacidade de articulação.
Essa Agência deverá cumprir uma missão tão difícil quanto fundamental: a de promover a nossa governança estratégica regional, por meio do estímulo à gestão compartilhada e às responsabilidades divididas entre os atores na tomada de decisões. As escolhas devem encontrar um objetivo comum e, para tanto, a Região vai precisar deixar de atuar de forma tão fragmentada e passar a pensar estrategicamente como território.
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