A entidade foi fundada em 1° de maio de 1966, sem fins lucrativos, e, segundo moradores, nasceu do esforço de famílias da comunidade, entre elas a de Vital Provesi, um dos fundadores e ex-presidente ...
O patrimônio de uma história construída pela própria comunidade de Machados há seis décadas está no centro de uma disputa em Navegantes. Moradores do bairro se mobilizam contra a proposta de transferência da área da Sociedade 1° de Maio para a Prefeitura, iniciativa que, segundo o município, dará origem ao novo Complexo 1° de Maio.
A entidade foi fundada em 1° de maio de 1966, sem fins lucrativos, e, segundo moradores, nasceu do esforço de famílias da comunidade, entre elas a de Vital Provesi, um dos fundadores e ex-presidente. Seu filho, Gilberto Provesi, liderança comunitária, afirmou ao DIARINHO que não houve consenso entre antigos dirigentes e familiares dos fundadores para a entrega do patrimônio.
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'A prefeitura simplesmente quer o patrimônio para ela', critica Gilberto. Segundo ele, a sociedade representa uma das referências da memória de Navegantes e não poderia ser entregue sob a justificativa de dificuldades financeiras. Ele defende destituir a atual diretoria, que aprovou a transferência à prefeitura, e alternativas de parceria com o poder público, em vez do simples repasse do patrimônio para a construção de uma escola.
Gilberto afirma ainda que os moradores já fizeram abaixo-assinado com 400 assinaturas, procuraram o ministério Público e levaram o assunto à Câmara de Vereadores. A entidade, segundo ele, mantém importância social para a comunidade, sediando eventos da terceira idade e cursos profissionalizantes.
A opinião de Provesi é compartilhada pelo ex-vereador Liço Ricobom. 'Entramos com representação no MP sexta-feira. São 400 assinaturas em três dias, mas creio que facilmente chegaremos a 100, 1500 assinaturas', anunciou Liço. 'Evidente que ninguém é contrário a um colégio, essa demanda é antiga. A grande parte da população é contrária dar o patrimônio comunitário à prefeitura'.
A área do 1° de Maio foi comprada de Nino Orlando Ferreira, o Nino da Femepe, em 1997, gestão do então prefeito Luiz Gaya. Aos poucos foram construídos o campo de futebol, o ginásio de esportes, construído quando Liço era vereador, o salão comunitário. 'Foi uma luta. A comunidade fez concreto, plantou a grama. E agora simplesmente querem acabar com a sociedade, para construir um prédio?', questiona Liço.
Os moradores defendem a permuta com outra área, mas a administração não teria aceitado. Gilberto pontua que a decisão da transferência pela atual diretoria não foi transparente. 'Quando nós, da diretoria anterior, soubemos, já tinham decidido', acusa.
Prefeitura promete sede à 1° de Maio
A prefeitura de Navegantes, por sua vez, sustentou à imprensa que a proposta partiu de uma demanda da própria diretoria do 1° de Maio, após reuniões nos últimos meses. O projeto prevê a construção de nova escola municipal, a revitalização do Ginásio Solano Mondini, do campo de futebol e do Estádio Alicio Ricobom.
Como contrapartida, o Município afirma que construirá uma nova sede para a Sociedade 1° de Maio dentro do próprio terreno e garantirá horário permanente para que a associação utilize o campo. Segundo a prefeitura, não haverá transferência de receitas entre o Município e a entidade.
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O prefeito Ricardo Ventura (PP) alegou que a intenção é transformar uma área que, segundo a administração, gera custos considerados altos para a entidade manter um complexo esportivo, educacional e social. Para os moradores contrários, porém, a questão vai além da estrutura física: trata-se de preservar um patrimônio construído ao longo de 60 anos.
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