Cerca de 2,71 mil milhões de pessoas estão expostas ao fumo passivo em todo o mundo, incluindo 767 milhões de crianças menores de 15 anos, e esta exposição contribuiu para 1,66 milhões de mortes em 2023, segundo um estudo.
Embora 'a exposição ao fumo passivo seja um risco para a saúde reconhecido a nível global, para o qual não existe um limite seguro de inalação', os autores reviram todos os estudos publicados no PubMed — uma biblioteca online de estudos científicos médicos gerida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA — de 2010 a 2025, para tentar avaliar o seu impacto em nove consequências para a saúde, incluindo a asma.
O seu trabalho, publicado hoje na revista The Lancet e que sintetiza inquéritos à população em geral e dados sobre a composição familiar, visa estimar a prevalência da exposição ao fumo passivo e quantificar a carga de doença associada em 204 países e territórios entre 1990 e 2023, com dados discriminados por idade e sexo.
Calcularam que aproximadamente 2,7 mil milhões de pessoas em todo o mundo foram expostas ao fumo passivo nesse ano, incluindo 767 milhões de crianças dos 0 aos 14 anos, noticia a agência Lusa.
Estima-se que esta exposição tenha resultado em 1,66 milhões de mortes prematuras, das 8 milhões de mortes atribuíveis ao tabaco em 2023.
Estima-se também que o fumo passivo tenha causado uma perda de 44,8 milhões de anos de vida saudável a nível global, principalmente devido à doença cardíaca isquémica, uma condição cardíaca causada pela falta de oxigénio no músculo cardíaco, de acordo com este estudo.
Nas crianças, a exposição ao fumo passivo causou 5,16 milhões de infeções respiratórias em 2023.
Os fumadores passivos estão expostos a dois tipos de fumo, o que emana da extremidade acesa dos produtos de tabaco e o que é exalado pelos fumadores.
A primeira, 'nem filtrada nem resultante da combustão completa', tem 'concentrações mais elevadas de compostos tóxicos e cancerígenos' do que a segunda.
Estas exposições 'aumentam o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e metabólicas', observa o estudo, e as crianças 'são particularmente vulneráveis'.
No entanto, apesar de uma diminuição de 22% na prevalência global do tabagismo desde 1990, 'o número absoluto de pessoas expostas (ao fumo passivo) manteve-se estável em todo o mundo, enquanto aumentou acentuadamente na África Subsariana, bem como no Norte de África e no Médio Oriente', observaram os cientistas.
De acordo com o estudo, há uma necessidade urgente de reforçar as políticas de controlo do tabaco, 'particularmente para proteger as mulheres e as crianças', nos 'locais públicos, bem como no ambiente doméstico', porque o fumo passivo 'continua a ser um fator importante na perda de saúde em todo o mundo'.
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