Dia do Ar Limpo: O que respiramos na Argentina?

Dia do Ar Limpo: O que respiramos na Argentina?
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Category: Health
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Em um país onde os dados públicos e em tempo real sobre qualidade do ar ainda são escassos, Sustentabilidade Sem Fronteiras impulsiona uma rede de monitoramento junto com governos provinciais e municipais. A iniciativa já avança em Neuquén, Córdoba, La Pampa, Jujuy e Buenos Aires. Todo 7 de setembro se comemora o Dia Internacional do Ar Limpo por um Céu Azul, uma data estabelecida pelas Nações Unidas para visibilizar um dos maiores riscos ambientais para a saúde. Este ano, sob o lema 'Ar limpo para a ação climática', a jornada foca em uma relação cada vez mais evidente: muitas das fontes que contaminam o ar também impulsionam o aquecimento global. A poluição atmosférica contribuiu para 6,4 milhões de mortes prematuras e 5,5 milhões de novos casos de asma infantil durante o último ano, segundo a mensagem divulgada pelo secretário-geral da ONU para a comemoração de 2026. A Organização Mundial da Saúde também aponta que 99% da população mundial vive em lugares onde a qualidade do ar supera seus valores guia. Frente a esse problema global, a Argentina enfrenta uma dificuldade adicional: em boa parte do território não existem dados locais, públicos, georreferenciados e atualizados que permitam saber o que respiram as comunidades. O vazio de informação na Argentina Um levantamento recente realizado pelo Doutor H. Trapassi e colaboradores, identificou que apenas 10 das 24 jurisdições argentinas contam com alguma normativa sobre qualidade do ar. Na maioria dos casos também não existem dados públicos nem sites oficiais atualizados. Além disso, nenhuma das normas levantadas se aproxima das diretrizes publicadas pela OMS em 2021, enquanto que a legislação nacional específica não se atualiza desde 1973. A falta de informação se torna especialmente crítica durante episódios de fumaça, incêndios florestais, inversões térmicas ou jornadas de alta poluição. Sem medições próximas e oportunas, resulta mais difícil emitir recomendações sanitárias, identificar as populações expostas e desenhar políticas públicas adequadas. 'O que não se mede dificilmente se pode gerir, e menos ainda proteger', sustenta o Doutor Damián Markov, pediatra especializado em Medicina Climática e Saúde Ambiental e coordenador da Área de Clima e Saúde de Sustentabilidade Sem Fronteiras (SSF). Uma rede nacional com informação aberta Para começar a cobrir esse vazio, SSF criou o Projeto Ar Limpo, uma iniciativa que busca construir uma Rede Nacional de Monitoramento de Qualidade do Ar junto com governos provinciais e municipais, instituições e empresas. O projeto instala monitores validados internacionalmente e de baixo custo em lugares onde atualmente não há informação disponível. Os equipamentos utilizam tecnologia de código aberto de AirGradient e registram material particulado fino (PM2.5), além de outros parâmetros ambientais. Os dados são publicados em tempo real e se integram a plataformas internacionais de ciência cidadã como OpenAQ, o que permite incorporá-los a uma base pública e comparável. A localização de cada equipamento se define a partir de quatro critérios: ausência de dados prévios, exposição de populações vulneráveis, vontade das autoridades de utilizar a informação e viabilidade técnica. Por esse motivo se priorizam hospitais, centros de saúde, escolas e espaços urbanos com circulação intensa. Monitores em cinco províncias A primeira etapa já permitiu instalar ou distribuir equipamentos em Neuquén, Córdoba, La Pampa, Jujuy e Buenos Aires, de acordo com as características ambientais e sanitárias de cada território. Em Neuquén foram instalados sete monitores junto com a Direção Geral de Saúde Ambiental e Mudança Climática do Ministério da Saúde provincial. Estão localizados em Añelo, Plottier, Colonia Rural, Zapala, San Patricio del Chañar, Chos Malal e San Martín de los Andes. A distribuição permitirá observar situações associadas com o uso de biomassa para aquecimento, o trânsito pesado, a atividade hidrocarbonífera e as inversões térmicas. Córdoba somou outros sete equipamentos, localizados na capital provincial, Agua de Oro, Despeñaderos, Oncativo, San Francisco, Villa Dolores e Villa María. A rede permitirá comparar ambientes urbanos, industriais e produtivos com perfis de exposição diferentes. Em La Pampa foram colocados dois monitores em Toay e no corredor que conecta essa localidade com Santa Rosa. Jujuy recebeu outros três, destinados a Libertador General San Martín, Volcán e a zona sul de San Salvador de Jujuy. A iniciativa também começou a se estender na província de Buenos Aires. Ar limpo, saúde e ação climática A poluição atmosférica não afeta todas as pessoas de forma igual. As crianças, os idosos, aqueles que sofrem de doenças crônicas e aqueles que trabalham ao ar livre enfrentam riscos maiores. Por isso, dispor de informação acessível não é apenas uma questão técnica: também é uma ferramenta de prevenção e de equidade sanitária. O monitoramento, além disso, conecta as agendas de saúde e clima. O transporte baseado em combustíveis fósseis, alguns processos industriais, as queimadas e os incêndios liberam poluentes prejudiciais para a saúde e, ao mesmo tempo, contribuem para a mudança climática. O aumento das temperaturas e a maior frequência de incêndios e ondas de calor podem, por sua vez, agravar os episódios de má qualidade do ar. O Projeto Ar Limpo busca que cada medição possa se traduzir em decisões concretas, desde recomendações para proteger grupos sensíveis até políticas de mobilidade, energia, produção e gestão de riscos. Sua próxima meta é ampliar a cobertura federal e incluir as comunidades locais no uso dos dados e no cuidado dos equipamentos, para sustentar a rede além dos ciclos políticos. Governos, instituições e empresas interessados em se juntar podem se comunicar com Sustentabilidade Sem Fronteiras através de [email protected]. O mapa interativo da rede e mais informações sobre o projeto estão disponíveis em sustentabilidadsf.org.ar/aire-limpio. Fonte: Sustentabilidade Sem Fronteiras

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