Mercado de veículos cresce em agosto, mas locadoras seguem relevantes nas vendas diretas
Anfavea registra 275,1 mil emplacamentos no mês e alta de 18,4% no acumulado, enquanto vendas para locadoras continuam influenciando o mercado de veículos leves
O mercado brasileiro de veículos manteve ritmo elevado em agosto. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram emplacados 275,1 mil autoveículos no mês. O resultado representa alta de 22,1% sobre agosto de 2025. Na comparação com julho, houve queda de 1,6%.
A diferença mensal ocorreu em um mês com dois dias úteis a menos. Ainda assim, a média diária chegou a 13,1 mil unidades. Foi a segunda maior do ano, atrás apenas de maio, com 13,7 mil. No acumulado de janeiro a agosto, os emplacamentos alcançaram 1,975 milhão de veículos. O volume é 18,4% superior ao registrado no mesmo período de 2025.
Para as locadoras, os números precisam ser observados em conjunto com o comportamento das vendas diretas. Essa modalidade inclui operações destinadas a empresas, frotistas e locadoras.
Análises divulgadas após o fechamento de agosto apontam que as vendas diretas responderam por cerca de 46,6% dos emplacamentos de veículos leves no mês. O varejo ficou com 53,4%. Locadoras ainda pesam no mercado
O desempenho das locadoras também aparece na distribuição regional dos emplacamentos. Segundo análise da Bright Consulting, Minas Gerais voltou à liderança entre os estados em agosto, com forte influência dos licenciamentos realizados por locadoras.
O movimento ocorre depois de um ciclo de compras mais concentrado no primeiro semestre. Uma análise publicada em setembro apontou que a antecipação de compras por locadoras e órgãos públicos atingiu o pico em maio e junho.
Mesmo com a desaceleração posterior, as compras corporativas continuam representando parcela significativa do mercado de veículos leves. Em agosto, as vendas diretas somaram mais de 122 mil unidades, segundo os dados da Bright Consulting.
O comportamento do canal é relevante para as locadoras. Ele influencia tanto a formação das frotas quanto o fluxo futuro de veículos que chegarão ao mercado de seminovos após a desmobilização. Produção cresce com CKD e SKD
A produção também apresentou avanço expressivo. Em agosto, foram produzidos 271,2 mil autoveículos no país. O volume foi 6,8% superior ao de julho e 9,4% maior que o registrado em agosto de 2025. Foi o maior resultado mensal desde outubro de 2019. No acumulado de janeiro a agosto, a produção chegou a 1,898 milhão de unidades. A alta foi de 8,5%.
A composição desse crescimento, porém, chama atenção. Cerca de dois terços das 148 mil unidades adicionais produzidas no acumulado vieram de modelos montados em sistemas CKD e SKD. A fabricação nacional respondeu pelo restante.
O presidente da Anfavea, Igor Calvet, destacou o aquecimento do mercado interno, mas chamou atenção para a composição do crescimento. 'É uma produção que deve ser comemorada, pois reflete o aquecimento do mercado interno, a despeito da queda nas exportações. Contudo, vale ressaltar que dois terços das quase 150 mil unidades produzidas a mais neste ano são compostos por modelos em SKD e CKD, e apenas um terço por modelos com produção plena no país', afirmou Calvet.
A expansão dos modelos montados nesses regimes ocorre em paralelo ao avanço das marcas chinesas no mercado brasileiro. As importações de autoveículos somaram 406,7 mil unidades nos oito primeiros meses do ano, alta de 29,8%. Mais da metade desse volume veio da China. Eletrificados avançam
Outro destaque do levantamento da Anfavea foi o avanço dos veículos eletrificados. Em agosto, elétricos, híbridos e híbridos plug-in responderam por 24,4% dos emplacamentos. No acumulado de janeiro a agosto, foram 372 mil unidades.
O crescimento acumulado chegou a 125,8% na comparação com os oito primeiros meses de 2025. A produção local também começa a ganhar participação nesse segmento. Segundo dados apresentados pela Anfavea, 39% dos eletrificados vendidos no país no acumulado do ano correspondem a modelos montados localmente em sistemas CKD ou SKD.
Para as locadoras, o avanço dos eletrificados amplia o número de alternativas para composição e renovação das frotas. O movimento também aumenta a importância de fatores como infraestrutura de recarga, manutenção e valor residual na gestão desses veículos. Exportações seguem como ponto de atenção
As exportações continuam em trajetória diferente do mercado interno. Em agosto, foram embarcados 39,8 mil autoveículos. O volume cresceu 2,2% sobre julho, mas caiu 31,7% na comparação anual. No acumulado de janeiro a agosto, as exportações chegaram a 294,2 mil unidades. A queda foi de 22,9%.
A Argentina aparece como principal fator para o resultado. Os embarques para o país recuaram 36,6% no acumulado. O cenário reforça a importância do mercado brasileiro para as montadoras. Ao mesmo tempo, a expansão das vendas diretas mantém as locadoras entre os canais relevantes para o escoamento da produção.
Para o setor de locação, os próximos meses devem mostrar como o mercado absorverá o aumento da oferta, especialmente diante do avanço dos importados, dos eletrificados e dos veículos montados em CKD e SKD.
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