'Se você escrever seguindo as exigências do mercado, não terá nada de valor', diz R.F. Kuang

'Se você escrever seguindo as exigências do mercado, não terá nada de valor', diz R.F. Kuang
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Category: Entertainment
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"Lily quer todas as respostas porque sente que isso faz parte da sua identidade e que conhecer essas respostas é necessário para a sua vida. E todas as pessoas com quem ela está conversando estão contestando isso. E elas dizem: ‘Na verdade, não, não é. Você nunca pensou nisso antes. E não há motivo para você estar pensando nisso agora’", explica. Fuga das expectativas do mercado editorial Kuang não nega sentir certo nervosismo ao lançar um livro novo, especialmente um tão diferente de suas obras anteriores. Mas diz não deixar isso afetar seu processo criativo: "Se você estiver escrevendo sentindo que tem alguém te vigiando, não vai conseguir escrever nada de bom. E se você começar a escrever de acordo com as exigências do mercado ou com o que acha que o leitor quer e não o que te empolga, então não acho que você esteja escrevendo nada de valor", afirma. Ela nunca foi de seguir as expectativas do mercado. Estreou na literatura com A Guerra da Papoula, uma alta fantasia inspirada pela Segunda Guerra Sino-Japonesa que começou a escrever quando tinha apenas 19 anos. Depois veio Babel ou a Necessidade de Violência, que explora a história colonial da China na década de 1830 e a Revolução Industrial na Inglaterra com uma trama em que traduzir significa dominar magia. A escritora surpreendeu quando trocou a fantasia pelo thriller com o polêmico Impostora: Yellowface, livro que discute racismo e apropriação cultural com a história de uma escritora que rouba o manuscrito de uma amiga falecida. Voltou depois com Katabásis, uma crítica aos abusos do sistema acadêmico em que dois estudantes de pós-graduação literalmente descem ao inferno para buscar seu orientador. "Não penso que tudo faça parte de um grande projeto literário. Mas acho que há questões que surgem repetidamente. Certamente, o fascínio pela linguagem e a adoção de identidades diferentes entre as diversas línguas são uma parte importante. A sensação de ser um estranho ou de não pertencer a uma cultura dominante e tentar encontrar seu lugar dentro dela. Isso é algo que sempre senti ao longo da minha vida. Por isso, transparece na forma como meus personagens se sentem", explica.

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