Ceratite por Acanthamoeba: infecção que pode levar à perda da visão

Ceratite por Acanthamoeba: infecção que pode levar à perda da visão
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Category: Health
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Caso compartilhado por jovem nas redes sociais reforça a importância de manter lentes de contato longe da água. Saiba reconhecer os sinais de alerta e como reduzir o risco de infecções na córnea. Ceratite por Acanthamoeba: infecção que pode levar à perda da visão Resumo A ceratite por Acanthamoeba é uma infecção ocular grave comum em usuários de lentes de contato que as expõem à água, como em banhos ou piscinas. O microrganismo penetra por microlesões na córnea, causando dor intensa, vermelhidão, sensibilidade à luz e visão embaçada. Por ter diagnóstico difícil e tratamento longo, a doença pode exigir transplante ou causar cegueira. Especialistas alertam para nunca molhar as lentes e buscar um oftalmologista imediatamente diante dos sintomas. A ameba Acanthamoeba é um microrganismo presente no ambiente, incluindo água e solo. Na maior parte das vezes, ela não causa doença, mas a ameba pode provocar uma infecção séria quando chega à córnea, especialmente em pessoas que usam lentes de contato. Foto: Alliance Images Foto: Saúde em Dia A jovem Grace Jamison relatou nas redes sociais ter perdido a visão após desenvolver uma rara infecção ocular. Segundo o relato, o problema surgiu depois de banhos usando lentes, uma prática que pode expor o olho a microrganismos presentes na água. O quadro é conhecido como ceratite por Acanthamoeba. Embora seja incomum, exige avaliação rápida de um oftalmologista, pois pode comprometer a visão de forma permanente. O que é a ameba que pode afetar a córnea? A Acanthamoeba é uma ameba encontrada no ambiente, como na água, no solo, no ar e na poeira. Sua presença na água não significa, por si só, que uma pessoa terá uma infecção. O risco muda quando a água entra em contato com lentes de contato. A lente pode facilitar a chegada do microrganismo à superfície ocular e favorecer sua permanência sobre a córnea. "A Acanthamoeba é uma ameba encontrada no ambiente, como na água e no solo. A presença dela na água normalmente não causa problemas, mas isso muda quando há uma lente de contato sobre a córnea", explica Willian Breno, oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos. Segundo o especialista, a lente pode agir como uma ponte entre a água e o olho. Além disso, pequenas lesões na superfície da córnea, que podem ocorrer em usuários de lentes, podem facilitar a entrada de microrganismos. O risco tende a ser maior com lentes gelatinosas. "Durante o banho, a água pode entrar em contato com a lente e levar amebas ou outros microrganismos até a superfície ocular", afirma Breno. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, apontam que pessoas que usam lentes de contato estão entre os principais grupos afetados pela ceratite por Acanthamoeba. Expor lentes à água da torneira, piscina, mar, rio ou banheira de hidromassagem é um fator de risco conhecido. Por que tomar banho com lentes aumenta o risco? No banho, a água pode ficar presa entre a lente e a córnea. Isso cria uma situação que facilita o contato prolongado entre o olho e microrganismos potencialmente presentes na água. A água da torneira não é indicada para limpar, guardar ou enxaguar lentes de contato. Ela também não deve ser usada no estojo, mesmo quando parece limpa ou tratada. A Acanthamoeba pode entrar no olho por pequenas áreas lesionadas da córnea. Essas microlesões podem ocorrer pelo uso inadequado das lentes, pelo ressecamento ocular ou pelo atrito durante a colocação e retirada. Usar lentes durante atividades aquáticas traz riscos semelhantes. Piscina, mar, cachoeira, rio e hidromassagem podem expor os olhos a microrganismos e aumentar a chance de infecções. A Academia Americana de Oftalmologia recomenda não tomar banho nem nadar usando lentes de contato. A entidade também orienta a usar apenas solução estéril apropriada para limpar e armazenar as lentes. Quais sintomas merecem atenção? No início, a ceratite por Acanthamoeba pode parecer uma irritação comum ou outra infecção ocular. Por isso, algumas pessoas podem demorar para procurar atendimento adequado. Os sintomas podem incluir: Dor ocular intensa ou persistente. Vermelhidão nos olhos. Sensação de areia ou corpo estranho no olho. Visão embaçada. Sensibilidade à luz, chamada fotofobia. Lacrimejamento excessivo. Incômodo que não melhora após retirar as lentes. "Os sinais e sintomas iniciais se confundem bastante com os de outros processos de infecção ou irritação ocular", afirma o oftalmologista do CBV-Hospital de Olhos. Ele destaca que uma dor muito intensa, aparentemente maior do que o aspecto do olho sugere, merece atenção médica. O especialista orienta retirar as lentes e procurar um oftalmologista imediatamente diante de dor, vermelhidão, sensibilidade à luz, visão borrada ou sensação persistente de corpo estranho. A infecção pode levar à perda da visão? Quando não é identificada e tratada rapidamente, a infecção pode avançar para camadas mais profundas da córnea e deixar cicatrizes que prejudicam a visão. "Infecções por Acanthamoeba costumam ser difíceis de tratar e, quando o diagnóstico ou tratamento demora, podem resultar em cicatrizes, comprometimento da visão e, nos casos mais graves, podem levar à necessidade de transplante de córnea ou até à cegueira", alerta Willian. O tratamento depende da avaliação especializada e pode ser longo. O CDC informa que os esquemas costumam envolver colírios específicos prescritos pelo oftalmologista e podem durar de seis a 12 meses ou mais, conforme a gravidade e a resposta de cada pessoa. Por isso, automedicar-se com colírios ou continuar usando lentes enquanto há sintomas não é uma boa ideia. Alguns tratamentos inadequados podem atrasar o diagnóstico e piorar a evolução do quadro. A evolução é especialmente preocupante quando as lesões persistem ou a infecção deixa de ser superficial. Nessa fase, a córnea pode sofrer danos mais importantes. Como usar lentes com mais segurança? A prevenção começa com uma regra clara: lentes de contato não devem entrar em contato com água. Esse cuidado vale para o banho diário e para momentos de lazer. O oftalmologista recomenda: Retirar as lentes antes de tomar banho, nadar ou entrar em hidromassagem. Não lavar lentes ou estojos com água da torneira. Usar somente solução multiuso ou desinfetante indicado pelo oftalmologista. Lavar e secar bem as mãos antes de tocar nas lentes. Respeitar o prazo de descarte indicado para cada tipo de lente. Não dormir usando lentes, salvo quando houver orientação médica específica. Trocar e higienizar o estojo conforme a recomendação do fabricante e do oftalmologista. Mesmo quem usa lentes há anos pode adotar hábitos inseguros por praticidade. É normal esquecer uma vez ou outra, mas transformar esses cuidados em rotina reduz riscos importantes. Se você tomou banho ou nadou de lentes e não apresenta sintomas, retire-as, higienize-as conforme orientação profissional e observe seus olhos. Caso surjam dor, vermelhidão, lacrimejamento, fotofobia ou visão embaçada, suspenda o uso e procure um oftalmologista sem demora.

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