Recursos serão destinados à implantação de centro de pesquisa e planta-piloto em Poços de Caldas, primeira etapa do Projeto Colossus
8 de setembro de 2026 • 13:36
Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2° lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026
A Viridis Mineração, sediada em Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, contratou um financiamento de R$ 77,5 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do programa BNDES Mais Inovação. A companhia é subsidiária integral da australiana Viridis Mining and Minerals.
Os recursos serão destinados à implantação do Centro de Pesquisa e Processamento de Terras-Raras (CPTR), voltado à produção de Carbonato Misto de Terras-Raras em escala piloto e à realização de pesquisas para desenvolver técnicas metalúrgicas e otimizar rotas de processamento das argilas iônicas encontradas na região.
O Carbonato Misto de Terras-Raras é um produto intermediário obtido no processamento de minérios que contêm esses elementos. Segundo a empresa, o material tem importância para a cadeia de insumos utilizados na transição energética. Já as argilas iônicas são depósitos geológicos nos quais as terras-raras ficam retidas na forma de íons adsorvidos e constituem uma fonte desses minerais para aplicações tecnológicas.
O CPTR constitui a primeira etapa do Projeto Colossus e compreende a planta-piloto da companhia e atividades voltadas ao desenvolvimento tecnológico e à validação de técnicas e da rota de processamento de terras-raras. A unidade terá como objetivo simular as condições da futura planta industrial do projeto, cuja implantação está prevista para começar no primeiro trimestre de 2027, com entrada em operação estimada para o fim de 2028.
Financiamento terá prazo de 16 anos
Segundo o diretor-geral da Viridis, Rafael Moreno, o financiamento terá prazo de 16 anos e custo indicativo atual de aproximadamente 4,8%. Para o executivo, as condições representam 'uma condição de captação extremamente atrativa e demonstra o apoio disponível no Brasil para projetos estratégicos como o Colossus'.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirma que o investimento na produção nacional de terras-raras contribui para posicionar o Brasil como fornecedor estratégico global de minerais críticos utilizados na transição energética.
'O projeto envolve o apoio ao ecossistema de inovação na região de Poços de Caldas e à cadeia nacional de fornecedores, com geração de empregos qualificados', destaca.
Projeto também conta com US$ 154 milhões em capital próprio
O Projeto Colossus foi selecionado em uma chamada pública do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), lançada em 2025 para apoiar projetos relacionados à cadeia de valor de minerais estratégicos para a transição energética e a descarbonização da economia. A lista dos projetos contemplados está disponível no portal do BNDES.
'Quando a Viridis foi selecionada, nosso objetivo era transformar esse apoio em recursos concretos para o desenvolvimento de nossas atividades relacionadas a terras-raras no Brasil', acrescenta Rafael Moreno.
Segundo Moreno, a aprovação do financiamento de R$ 77,5 milhões, somada aos US$ 154 milhões em capital próprio já levantados pela empresa, amplia os recursos disponíveis para o Colossus. A Viridis busca ainda obter o restante do financiamento sênior necessário para viabilizar o projeto.
O Grupo Viridis atua na pesquisa, lavra, beneficiamento, refino e reciclagem de Elementos de Terras-Raras (ETRs). Esses minerais são utilizados, entre outras aplicações, na produção de ímãs permanentes de alto desempenho (NdFeB), empregados em cadeias produtivas como mobilidade elétrica, energia renovável, tecnologia médica e eletrônica de precisão.
A Viridis Mineração detém 100% dos direitos de pesquisa e lavra do Projeto Colossus IAC (Ionic Adsorption Clay), em Poços de Caldas. Segundo a companhia, o depósito está entre os mais promissores de argilas iônicas fora da Ásia, considerando a concentração de elementos de terras-raras e a viabilidade técnica de extração.
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