O Primeiro-ministro defende a permanência do ministro da Administração Interna e aponta resultados no combate aos incêndios e no controlo das fronteiras. Oposição insiste na demissão de Luís Neves, enquanto CDS e Governo defendem a atuação do Executivo.
Luís Montenegro, voltou a defender a continuidade de Luís Neves como ministro da Administração Interna, afirmando que o governante é 'um excelente ministro' e que 'Portugal precisa dele', durante o debate da moção de censura apresentada pelo Chega.
Montenegro sustentou que Luís Neves permanece no Governo por ter demonstrado 'aptidão' e 'competência' para responder aos desafios da segurança interna, rejeitando as críticas da oposição à sua atuação.
'Está no Governo quem o primeiro-ministro escolheu. É a democracia', afirmou Montenegro, numa das respostas dadas durante o debate.
Montenegro destaca combate aos incêndios
Cerca de uma hora e meia após o início da discussão, o primeiro-ministro centrou-se na defesa do ministro da Administração Interna, que está no centro das críticas da oposição.
Em resposta ao co-porta-voz do Livre, Jorge Pinto, Montenegro afirmou que Luís Neves 'tem mostrado aptidão, competência para responder ao desafio de sermos um dos países mais seguros do mundo'.
O primeiro-ministro destacou ainda a coordenação dos mecanismos de intervenção no combate aos incêndios, considerando que o ministro 'fez o trabalho de casa' e que essa atuação 'está a ter impacto'.
Montenegro apontou também resultados no controlo das fronteiras aéreas, depois dos constrangimentos registados em vários aeroportos. Segundo o chefe do Governo, a articulação entre as diferentes forças envolvidas permitiu reduzir o impacto desses problemas.
O primeiro-ministro voltou igualmente a enquadrar a subida dos preços dos combustíveis como consequência de um 'problema global', numa altura em que o aumento do custo de vida é um dos temas centrais das críticas da oposição.
IL exige demissão de Luís Neves
A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, afirmou que o caso relacionado com Luís Neves é demasiado grave e questionou diretamente Montenegro sobre a razão pela qual ainda não demitiu o ministro.
Apesar de a IL anunciar o voto contra a moção de censura, por considerar que não deve contribuir para uma crise política, Mariana Leitão defendeu que Luís Neves deve abandonar o cargo.
'Ou sai pelo próprio pé ou tem de ser forçado a sair', afirmou a dirigente liberal, acrescentando que Montenegro está a 'amarrar o seu destino' ao do ministro da Administração Interna.
Mariana Leitão terminou com um apelo direto ao primeiro-ministro: 'Demita o ministro'.
BE também pede saída do ministro
Também o Bloco de Esquerda defendeu a demissão de Luís Neves.
A deputada Andreia Galvão questionou como pode o Governo considerar aceitável a permanência do ministro em funções e afirmou que o Executivo deveria começar a responder aos problemas que, segundo o partido, mais afetam a vida dos portugueses.
A bloquista apontou o aumento do custo de vida e os problemas na Educação, defendendo que o Governo deve concentrar-se nessas matérias.
'Peço-lhe, sinceramente, demita o ministro da Administração Interna', afirmou.
Chega reivindica liderança da oposição
Pelo Chega, a deputada Cristina Rodrigues criticou os restantes partidos da oposição por, na sua perspetiva, centrarem as críticas no próprio Chega em vez de censurarem o Governo.
'O Chega é o verdadeiro líder da oposição', afirmou.
Cristina Rodrigues voltou a questionar Montenegro sobre a manutenção da confiança em Luís Neves e sobre as razões que justificam a permanência do ministro no cargo.
Livre questiona impacto da permanência de Luís Neves
O novo co-porta-voz do Livre, Jorge Pinto, considerou que Luís Neves foi 'imprudente' e defendeu que o primeiro-ministro e o próprio ministro devem avaliar se a sua permanência no Governo está a provocar mais prejuízos do que benefícios às instituições.
Jorge Pinto questionou, nesse sentido, 'a partir de que momento' a manutenção do ministro em funções poderá 'fazer mais mal do que bem' à credibilidade institucional.
CDS defende atuação do Governo
Em sentido contrário, o líder parlamentar do CDS, Paulo Núncio, fez uma defesa da atuação do Executivo, garantindo que 'o Governo está a cumprir e a cumprir bem'.
O centrista classificou a iniciativa do Chega como mais uma ação de 'oportunismo político' de André Ventura e considerou que a moção de censura é 'só mais uma'.
PCP centra críticas no custo de vida
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, direcionou a sua intervenção sobretudo para o aumento do custo de vida.
'A sua propaganda esbarra na realidade', afirmou, acusando o Governo de não estar a responder às dificuldades sentidas pelos portugueses e sustentando que salários, rendimentos e pensões estão a ser pressionados pelo aumento dos preços.
O líder comunista questionou ainda o Governo sobre os preços da energia e do gás e criticou aquilo que considera ser uma falta de intervenção sobre os lucros da Galp.
Na área da Saúde, Paulo Raimundo acusou o Executivo de estar a 'desmantelar o Serviço Nacional de Saúde' e criticou a aproximação política ao Chega.
O debate da moção de censura ficou, assim, marcado por uma forte confrontação política em torno da permanência de Luís Neves no Governo, mas também pela discussão sobre o custo de vida, os combustíveis, a segurança, os incêndios e a atuação do Executivo.
Montenegro mantém, contudo, a confiança no ministro da Administração Interna e rejeita a necessidade de proceder à sua substituição.
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