O candidato ao Governo do Rio, Douglas Ruas (PL), afirmou nesta terça-feira (8) que não é responsabilidade do gestor público saber onde são comprados os insumos de obras. A declaração ocorreu durante sabatina, ao ser questionado sobre pagamentos feitos a uma pedreira da família de seu padrinho político, o deputado federal Altineu Côrtes (PL).
A empresa Santa Edwiges venceu, entre fevereiro e agosto de 2025, o fornecimento de agregados minerais para três obras de pavimentação em São Gonçalo. O material abasteceu cinco etapas de serviços que custaram R$ 4,9 milhões em revestimento asfáltico. As obras incluíam drenagem nos bairros Bom Retiro e Sacramento, além de um corredor de ônibus entre Neves e Guaxindiba.
Ruas, que chefiou a Secretaria de Cidades por quase três anos, disse que não possui correlação com os fatos e que não sabe quem são os sócios da pedreira. O candidato afirmou que responde com tranquilidade por seus atos no poder público, alegando não possuir denúncias ou processos e ter punido contratados que apresentaram desvios.
Sobre uma auditoria da Controladoria-Geral do Estado que apontou irregularidades em um aditivo de 45% em contrato de asfalto, Ruas classificou a apuração como repleta de 'inverdades'. Ele argumentou que o contrato foi auditado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e que não houve irregularidades, informando que levará o vazamento dessas informações às consequências junto ao governador em exercício, o desembargador Ricardo Couto.
A gestão de Ruas na pasta também foi questionada por concentrar 95% das verbas de obras em municípios aliados. De R$ 1,4 bilhão em contratos ativos, R$ 1,3 bilhão foram destinados a sete cidades. São Gonçalo, onde o prefeito é o pai do candidato, Capitão Nelson (PL), recebeu mais da metade do investimento. Itaboraí também foi um dos municípios com maior volume de recursos.
Questionado sobre a perda de apoio de prefeitos e a saída de Rogério Lisboa de sua chapa, Ruas afirmou que a decisão de disputar o governo foi tomada em agosto, após conversa com Flávio Bolsonaro. O candidato disse que não aceitou o convite para a disputa contando com o apoio de prefeitos e que a comunicação com os eleitores ocorre via redes sociais.
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