São Paulo não tem praia – mas parece ter beach tennis em cada esquina.
O Rio tem os dois. Na orla, as quadras já estão ocupadas antes do sol aquecer o dia. No coração financeiro de São Paulo, e do Brasil, o mesmo esporte tomou estacionamentos, rooftops e lajes entre torres corporativas.
O Brasil se tornou o maior polo mundial de beach tennis – sem que ninguém decretasse isso.
Em 2025 sediamos 180 torneios internacionais da modalidade, mais do que qualquer outro no mundo, segundo a Federação Paulista de Tênis com base no calendário da ITF (International Tennis Federation). A Itália, berço do esporte, ficou atrás. Os Estados Unidos organizaram menos torneios do que o estado de São Paulo sozinho: 49 contra 45.
É o tipo de número que, em qualquer outro contexto, viraria manchete de negócios.
Não é por acaso. O Brasil tem um talento antigo para construir mercados esportivos na informalidade. O futebol de areia formou campeões mundiais e nunca gerou uma liga comercial robusta. O futevôlei domina as praias e ainda tenta transformar tudo isso em negócio de escala.
O esporte de areia no Brasil cresce por conta própria. Mas parece estacionar por conta própria também.
O vôlei de praia é a exceção que explica tudo. Cresceu nas mesmas areias, pelo mesmo caminho orgânico, sem estrutura e sem investimento de grande porte. Em 1991, o Banco do Brasil chegou. O Circuito Nacional veio logo em seguida. Em 1996, Atlanta. Ouro olímpico.
O beach tennis já tem a massa crítica. Há franquias, há torneios, há investidores. O que falta não é dinheiro. É o dado que transforma tudo isso em tese de investimento.
Nos EUA, o pickleball vivia situação parecida. Era um esporte de base popular, sem dado estruturado e sem capital organizado. Quando a Sports & Fitness Industry Association passou a publicar relatórios anuais com números de praticantes e infraestrutura por estado, o cenário mudou. A Apollo Global Management aportou US$ 225 milhões no esporte em 2026, avaliando o negócio em US$ 750 milhões, segundo a CNBC. A transmissão veio. Os patrocinadores seguiram.
O relatório não 'criou' o pickleball. Ele tornou o crescimento legível para quem tem capital.
O beach tennis brasileiro ainda não tem esse documento. As estimativas de praticantes variam numa faixa ampla que parecem dizer mais sobre a necessidade de metodologia do que sobre o tamanho real do mercado. O setor cresceu por federações estaduais e iniciativas privadas, num ritmo que nenhuma instituição teve tempo de acompanhar direito.
Não é uma crítica. É uma constatação.
Capital organizado não persegue intuição. Persegue argumento. E argumento, no mundo dos investimentos, tem nome: dado verificável, série histórica, projeção de mercado.
Enquanto isso não existir para o beach tennis, o esporte vai continuar crescendo pela força da demanda e da cultura brasileira de praia. Vai continuar lotando quadras. Vai continuar sediando mais torneios internacionais do que a Itália.
Mas vai deixar o dinheiro na mesa.
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