Quem acompanha mais de perto a trajetória política do candidato ao Senado Sérgio Meneguelli (PSD) já sabe que ele não é um político de grupo. Enquanto a maioria dos candidatos peleja para costurar grandes alianças e buscar o apoio de outros agentes públicos, o deputado estadual atua como um lobo solitário, defendendo o 'bloco do eu sozinho'. Definindo-se como um político de centro-direita, Meneguelli evitou entrar em dividida ao ser questionado sobre quem tem o seu apoio no cenário nacional e na disputa travada pelo Palácio Anchieta.
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Meneguelli foi o último dos onze candidatos ao Senado entrevistados pelo pool de veículos de comunicação do Grupo Sim. Dono de um perfil bem peculiar de fazer política, o ex-prefeito de Colatina garante que não vai mudar e seguirá correndo atrás dos votos sem estrutura partidária e sem o apoio de grandes lideranças. Mas, em um cenário tão polarizado quanto o da política brasileira, Sérgio sabe que o fato de não se posicionar irá colocá-lo no alvo daqueles que defendem uma postura mais incisiva na hora de declarar apoio.
'Eu não faço campanha em grupo. Meu bloco é o bloco do eu sozinho. Não usei nome de Bolsonaro, não usei nome de Lula, de ninguém. Aí começaram a querer me pôr como candidato esquerdista. Isso é fake. Sempre fui eu sozinho, em cima de um carro, rodando o Espírito Santo, entregando uma propaganda preto e branca, e nem o nome do outro candidato do partido eu tinha', destacou o ex-prefeito de Colatina.
'Eu ganhei a política em Colatina combatendo oito anos da administração do PT. Quem me acompanha sabe que eu sempre fui um político de centro-direita. Eu nunca fui filiado a um partido de esquerda e não sou extremista. Eu não gosto do extremismo. Extremismo, para mim, é aquele burro que tem aquela viseira, só vê aquilo na frente. Eu gosto da liberdade', completou.
Porém, o político do bloco 'do eu sozinho' não se mostrou tão independente ao ser questionado sobre qual candidato terá o seu apoio na eleição para governador do Espírito Santo. Meneguelli apelou para a resolução do seu partido, o PSD, que decidiu se manter neutro na eleição para o Executivo estadual, e não respondeu se irá apoiar os candidatos que, assim como ele se define, são mais alinhados ao campo da centro-direita, no caso Ricardo Ferraço (MDB) ou Lorenzo Pazolini (Republicanos).
'Hoje em dia querem polarizar, mas eu não entro nessa. Pela internet, já me chamaram de melancia, comunista, fascista, golpista. Quando o presidente Bolsonaro me chamou para eu ir a Brasília, quando ele vestiu a camisa de Colatina, naquela época eu perdi 27 mil seguidores que me xingaram, dizendo que eu apertei a mão de homofóbico, não sei o quê. Eu não ligo para isso. Era um prefeito do interior do Espírito Santo sendo recebido pelo presidente da República que eu apoiei em 2018. Isso é público e notório. Mas eu nunca fiz campanha com ele, nunca usei o nome dele e nem de político nenhum', completou Meneguelli.
(Nota do autor da coluna: melancia é um jargão no meio político para simbolizar aquele candidato que se declara conservador, mas, de fato, é progressista; verde por fora e vermelho por dentro.)
Meneguelli relembrou as disputas partidárias que enfrentou desde a eleição passada para poder disputar o Senado e garantiu que, se for eleito, sua relação com o senador Magno Malta (PL) será 'a melhor possível'. Comenta-se nos bastidores da política capixaba que Magno teria articulado, junto com o ex-presidente Bolsonaro e com lideranças nacionais do Republicanos (antigo partido de Meneguelli), o boicote ao nome do ex-prefeito como candidato a senador.
'Não sou inimigo do Magno. Se ele me chamar para tomar um café, eu vou. Inclusive, eu já fui do PL de Magno Malta e sempre o ajudei', pontuou.
Ao ser questionado sobre o seu aumento patrimonial, que saltou de R$ 594 mil para R$ 1,1 milhão em quatro anos — conforme declaração de bens apresentada pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral —, Meneguelli atribuiu esse crescimento a um apartamento que comprou financiado e destacou que sempre foi uma pessoa econômica e que, desde a época em que foi prefeito de Colatina, não usa o seu salário, que vai todo para a caderneta de poupança. O parlamentar disse que vive da sua aposentadoria do INSS e do aluguel de um imóvel que possui.
'Agora, um deputado ou um senador, um político, que fica quatro anos ganhando o que ganha, se não conseguir ter um apartamento de R$ 500 mil, ou tem muita despesa ou é um fanfarrão', discursou Meneguelli, com mais uma frase de efeito, bem ao seu estilo.
Em um processo político-eleitoral tão polarizado como o que vivemos no Brasil, declarar-se um político de centro-direita pode não ser o suficiente para uma parcela significativa do eleitorado. Uma experiente liderança política comentou certa vez que, para conseguir o voto da ala mais radical da direita, o candidato precisa 'ser bolsonarista, agir como bolsonarista e falar como bolsonarista'.
Não é o caso de Meneguelli. Mesmo sendo considerado um fenômeno nas redes sociais, com seus vídeos alcançando milhões de visualizações em poucas horas, o deputado estadual sabe que transformar seguidor em eleitor não é uma matemática simples. Para isso, é preciso articulação, alianças e capacidade de falar com o eleitor que não está na bolha das redes sociais. E, para isso, o político do 'bloco do eu sozinho' terá que gastar muita sola do seu All Star e convencer muita gente de que seu estilo popular nos vídeos poderá, de fato, ser útil para conseguir trazer recursos para o Estado e representar bem o Espírito Santo no Senado da República.
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