O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, endureceu o cerco contra a Bombardier e afirmou que a fabricante canadense de aeronaves não poderá continuar vendendo seus produtos no mercado americano sem passar a produzir no país. A advertência foi publicada na Truth Social nesta segunda-feira, 7 de setembro, na véspera da entrada em vigor de tarifas retaliatórias do Canadá sobre aproximadamente US$ 20 bilhões em mercadorias dos EUA, em mais um capítulo da escalada protecionista entre Washington e Ottawa.
Trump condiciona acesso da Bombardier ao mercado americano
Na mensagem, Trump afirmou que não há mais espaço para a venda de aviões da Bombardier nos EUA. Para o presidente, se a companhia quiser atuar no mercado americano, precisará fabricar localmente e deixar de tratar o país como um 'cofrinho'. A postagem foi feita um dia antes de as tarifas canadenses de retaliação começarem a valer.
O tom duro indica a disposição da Casa Branca de manter pressão sobre parceiros comerciais em meio ao impasse nas negociações bilaterais, que sofreram um colapso recente.
Bombardier destaca capilaridade nos Estados Unidos
A resposta da Bombardier buscou evidenciar o quanto a companhia já está enraizada nos Estados Unidos. A fabricante informou que mantém trabalhadores diretos em mais de 20 estados e opera instalações em 10 estados, incluindo Califórnia, Texas e Arizona. A empresa também lembrou que suas aeronaves são construídas com motores, sistemas de aviônicos e uma série de outros componentes fornecidos por empresas americanas.
Ao lado da defesa da estrutura atual, a Bombardier anunciou planos de expansão no mercado americano: crescimento das atividades de defesa, ampliação da rede de serviços e inauguração de uma nova unidade em Fort Wayne, Indiana, ainda neste ano. No comunicado, a companhia afirmou que valoriza a parceria com empresas dos EUA e o trabalho de seus funcionários no país.
Tarifas de US$ 20 bilhões entram em vigor nesta terça-feira
O posicionamento da Bombardier ocorre em um contexto de forte tensão comercial. As tarifas retaliatórias canadenses que entram em vigor nesta terça-feira, 8 de setembro, foram anunciadas em 25 de agosto e incidem sobre mais de 700 produtos fabricados nos Estados Unidos, totalizando cerca de US$ 20 bilhões. Ottawa estruturou a resposta para espelhar o impacto das tarifas de 50% que Trump impôs a itens como vinho canadense, cimento, tacos de hóquei e outros produtos após a interrupção das negociações.
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