Preço médio do biocombustível passou de R$ 3,73 para R$ 4,06 em um mês na Capital; economista vê espaço para reajustes pontuais nas próximas semanas
8 de setembro de 2026 • 13:45
Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.
Há cerca de um mês, motoristas encontravam o litro do etanol por até R$ 2,99 em postos de Belo Horizonte, enquanto o preço médio era de R$ 3,73 na Capital, conforme dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Um mês depois, a média subiu 8,8%, para R$ 4,06, e o combustível já pode ser encontrado por quase R$ 5 em alguns estabelecimentos. Leia também: Preço dos combustíveis cai em Minas; etanol pode ser encontrado a R$ 2,99 em BH
Em Minas Gerais, o avanço ocorreu em ritmo menor. De agosto para setembro, o preço médio do biocombustível subiu 2,79%, de R$ 3,94 para R$ 4,05 por litro, segundo a ANP.
Nas usinas de São Paulo, que respondem por 15% a 30% do etanol consumido em Minas Gerais, dependendo do período do ano, o avanço foi mais intenso. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Cepea/Esalq-USP), o preço subiu 17,27% no período, de R$ 2,0457 para R$ 2,3991 por litro.
A alta nas usinas paulistas é um dos fatores que ajudam a explicar o movimento dos preços em Minas, mas não o único, segundo o economista e professor do UniBH Fernando Sette Junior. De acordo com ele, o avanço foi mais intenso em Belo Horizonte porque o preço médio de R$ 3,73 por litro registrado no início de agosto estava excepcionalmente baixo e abaixo da média mineira.
'Em setembro, o valor chegou a R$ 4,06, praticamente se igualando à média estadual de R$ 4,05. Assim, parte da alta de 8,85% representa uma normalização dos preços após promoções e forte concorrência entre postos', diz.
Sette Junior explica ainda que houve aumento dos preços cobrados pelas usinas, ajustes nos estoques das distribuidoras e recomposição das margens da cadeia. Como o etanol custa aproximadamente 64% do preço da gasolina em BH, o combustível segue competitivo, o que contribui para manter a demanda aquecida e abre espaço para o repasse dos reajustes ao consumidor.
Sobre os números do Cepea/Esalq-USP, o professor lembra que São Paulo é o principal centro produtor e formador de preços do etanol no País. Apesar de Minas Gerais ter produção própria, as distribuidoras mineiras também compram combustível paulista, enquanto as usinas locais utilizam o mercado de São Paulo como referência. 'Por isso, uma alta de 17,28% no indicador Cepea/Esalq tende a elevar o custo de reposição em Minas', explica.
Segundo o economista, esse repasse não ocorre integralmente nem de imediato, pois o preço ao consumidor também considera frete, tributos e margens de distribuição e revenda. 'Como o preço nas usinas subiu muito mais que o valor nas bombas, 17,28% em São Paulo, contra 2,79% na média mineira, ainda existe pressão para novos reajustes no varejo, embora não necessariamente na mesma proporção', afirma. Etanol pode ter novos reajustes em Minas
No curto prazo, a expectativa é de que os preços se firmem, com possibilidade de novas altas pontuais em Minas, segundo o professor. 'Isso acontece porque parte do reajuste ocorrido nas usinas ainda pode ser repassada pelas distribuidoras e pelos postos à medida que os estoques antigos sejam substituídos por combustível adquirido a preços mais elevados', diz o professor.
Ele ressalta, porém, que não há elementos suficientes para projetar uma alta contínua na mesma intensidade. 'A safra ainda está em andamento, a produção de etanol de cana aumentou recentemente e o etanol de milho continua ampliando a oferta nacional', avalia.
O cenário mais provável, segundo Sette Junior, é de reajustes pontuais nas próximas semanas, seguidos de estabilização. A projeção pode mudar, porém, diante de problemas climáticos, redução da moagem ou alterações relevantes no mercado do açúcar.
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