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Colunista De Ecoa

O que o buraco da camada de ozônio pode ensinar sobre o plástico

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Naquele tempo não existia essa facilidade toda de hoje, protetor solar de toda hora, roupa com FPS pronta para vestir. A gente se virava como dava. Molhava a camiseta para criar uma camada a mais contra o sol. Boné enterrado na cabeça. Protetor no rosto, no nariz, na testa, tudo que dava para cobrir. Camiseta, boné, protetor... nossa armadura contra um inimigo que a gente nem via, só sentia queimar. E, no fundo, o que mais doía era a comparação: será que a gente ia acabar como os bichos lá do sul, perto da Antártida, os primeiros a levar o golpe daquele sol sem filtro? Porque, meu Deus, nos iates-clubes só se falava naquilo. "Olha, a camada de ozônio tem um buraco". Contava-se de carneiro cego na Patagônia, de coelho cego na Nova Zelândia, de peixe cego não sei onde. Cada porto acrescentava um detalhe mais assustador que o outro. E a gente engolia tudo, porque fazia sentido demais com o que a gente estava vivendo ali, na pele, no convés, debaixo daquele sol que parecia mais forte a cada ano. Hoje eu sei que boa parte daquilo era exagero: a história dos carneiros cegos, por exemplo, virou lenda. Anos depois, cientistas da Johns Hopkins foram investigar e descobriram que a cegueira nos rebanhos chilenos não tinha nada a ver com radiação: era uma infecção ocular, conjuntivite mesmo. O boato correu o mundo, foi parar até em livro de político famoso, e ninguém nunca confirmou de verdade. Mas o medo não nasceu do nada. Lá na Antártida, onde o buraco realmente se abria todo ano, a coisa era real: focas e pinguins sofrendo queimadura de sol na pele exposta, nos olhos. E o mais grave, lá embaixo da cadeia alimentar do oceano, o fitoplâncton e o krill (a base de tudo, o alimento de quase todo bicho do mar gelado) sendo castigados pelo excesso de raio ultravioleta. Não eram carneiros de faroeste. Era ciência de verdade, só que sem manchete tão fácil de repetir num iate clube. E então, em 16 de setembro de 1987, o mundo, pasmem, se mexeu de verdade. Dezenas de países assinaram o Protocolo de Montreal e prometeram parar de usar aquele gás desgraçado, o clorofluorcarbono, o CFC, que estava dentro de cada geladeira, cada spray, cada ar-condicionado do planeta. Trocaram geladeira. Reformularam fábrica inteira. E funcionou!
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