O cartão Credcesta de Rui Costa e Jaques Wagner chegou a responder por 80% da carteira de crédito de varejo do banco de Augusto Lima e Daniel Vorcaro e foi a papinha que alimentou o Master na infância. Está no DNA e na certidão de nascimento do maior escândalo financeiro da história do país.
A negociação da privatização da Empresa Baiana de Alimentos, dona da rede de supermercados Cesta do Povo, foi tratada diretamente pelo governo do PT com Augusto Lima em 2017, muito antes de Jair Bolsonaro se mudar para o Planalto. Do outro lado da mesa estava Jaques Wagner, então secretário de Desenvolvimento Econômico do governo Rui Costa.
A estatal dava prejuízo de quase R$ 200 milhões por ano e tinha ido a leilão duas vezes, com preço mínimo de R$ 81 milhões, sem atrair comprador. O negócio foi fechado na terceira tentativa, em abril de 2018, por R$ 15 milhões.
Dezesseis dias após o leilão, Rui Costa assinou dois decretos que autorizaram o famigerado cartão de supermercado a oferecer crédito, seguros e serviços financeiros, com desconto direto e exclusivo na folha de mais de 400 mil servidores baianos e exclusividade de 15 anos.
Rui Costa, braço direito de Lula, um dos fundadores do PT na Bahia, ministro-chefe da Casa Civil até abril deste ano, confessou: "Se não tivesse o cartão, nem isso [os R$ 15 milhões] tinha pago. Se alguém pagou uma merreca de R$ 15 milhões, é porque tinha o cartão."
O comprador queria acesso direto ao contracheque de 400 mil servidores, a rede de supermercados veio de brinde. Com a chave do cofre do funcionalismo baiano na mão, Augusto "Guga" Lima foi buscar um banco que financiasse a operação. Fechou com Daniel Vorcaro ainda em 2018.
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