Um livro é um convite a um outro tempo. E um livro sobre o tempo? Meu livro é sobre o tempo. E também sobre estes tempos. Nossos tempos. Que tempos são estes? Talvez a urgência seja a grande questão destes tempos. E a forma como fomos naturalizando e normalizando a aceleração do tempo e todos os seus efeitos.
Celebro, porque acredito no ritual como momento de habitar o tempo, como nos lembra o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, mas também porque o livro é este objeto fruto que tem uma relação tão linda com o tempo: ele é situado no tempo, fruto de dedicação de tempo, atenção, carinho e energia, mas também convida alguém a dedicar tempo, atenção e energia para ser lido e compreendido.
Celebro, então, o espiralar de um processo que tem neste livro um fruto, mas também celebro esta qualidade de tempo que um livro carrega em sua alma. Um tempo de contemplação. Um tempo de reflexão. Um tempo do sair do automático. De parar, pensar, sentir, sonhar e imaginar. Um tempo de desacelerar. E que me emociona ter o privilégio de colocar no mundo.
'Urgente é gente' foi lançado ontem na Bienal do Livro de SP
Imagem: Arquivo pessoal
Celebro também este lugar da autoria, tão remexido neste mundo acelerado. Um texto autoral convida a gente a olhar para o universo da inteligência artesanal e para tudo o que ela convoca a viver. E tudo que este mundo apressado vai tirando das nossas mãos.
"Urgente é gente: estamos vivendo se estamos sempre correndo". Este é o nome do meu livro. E ele é — como eu gosto de dizer por aí — um desmanual.
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