O senador poderia, desde o começo, ter abraçado a proposta, tornando-a um ponto de união nacional. Preferiu a posição de parte dos empresários. E, agora, para defender a escolha que Flávio fez, a presidência do Senado ignora o desejo de quase 80% da população.
A manobra de Alcolumbre põe em risco a aprovação da proposta de emenda à Constituição, uma vez que o fato de que dois terços do Senado estão em disputa nesta eleição é o maior incentivo para que parlamentares apoiem a proposta. O mesmo processo ocorreu na Câmara, onde 472 dos 513 deputados deram aval à mudança, apoiada mesmo entre aqueles que a criticaram por meses.
Após a eleição, a pressão dos trabalhadores sobre os senadores desaba e volta a reinar a influência do cascalho grosso.
Os que são contra o fim da escala perfazem 9%, enquanto outros 13% dizem não ser a favor nem contra. Entre as mulheres, o apoio é de 83%. E, na geração Z (com jovens até 29 anos), 86%.
Adiar a votação, portanto, não é proteger o processo eleitoral de uma pauta oportunista. É proteger uma escolha política do julgamento das urnas. Se o Congresso representa a população, poucas matérias chegam ao plenário com tamanho respaldo social.
Ao engavetar a proposta justamente quando os senadores estão mais expostos à cobrança popular, Alcolumbre não retira a influência da escala 6x1 da eleição. Faz o contrário: transforma sua manutenção em decisão eleitoral.
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