Governador interino do Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto faz uma limpa na administração estadual porque não tem compromissos políticos a serem atendidos.
Couto não é do ramo, mas isso em tese não o impediria de perceber que está sendo usado na versão de que é cogitado para ocupar a vaga de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal.
Espera-se que o fato de ter ficado emocionado por receber elogios públicos do presidente da República não oblitere sua visão ao ponto de permitir que o ego faça dele um inocente útil.
Ricardo Couto (esq.) e Lula durante a inauguração do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde, da Fiocruz, no Rio -
Daniel Ramalho - 23.mai.26/AFP
A turma palaciana de Brasília recorre ao velho truque de plantar sementes nos ouvidos de jornalistas, fazendo circular que "aliados" —entidade parceira das "fontes" no exercício da imprecisão— têm sugerido ao presidente Lula (PT) a indicação dele ao Supremo.
Os adeptos desse tipo de lavoura não escondem que o conselho advém da necessidade ocasional de Lula de, diante das agruras que acometem o STF, apagar as evidências do gosto presidencial por indicações referidas no compadrio e no uso da corte suprema como linha auxiliar da governabilidade.
Os agricultores da plantação tomam o cuidado de ressalvar que não há nada decidido. No idioma do chamado mercado, criam um hedge, dando margem de proteção contra decisão em contrário. No momento interessa a esse pessoal encher a bola de um magistrado que atua na direção do interesse público, no sentido oposto ao que se vê na instância máxima do Judiciário.
O problema é que tal hipótese não se coaduna com o critério de lealdade adotado pelo presidente para a ocupação da cadeira de juiz supremo e muito menos com a independência de Ricardo Couto no exercício da interinidade no Rio.
Não é do feitio de Lula conviver com autonomias. Tampouco é da personalidade egoica do presidente se abster da chance de reapresentar o nome de Jorge Messias para apagar, num acordo com Davi Alcolumbre (União Brasil), o fato de ser o único presidente, desde o século 19, a ver rejeitada uma indicação ao Supremo.
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